Apesar de ter igualado, em número total de medalhas, a campanha de Guadalajara (México), há quatro anos, o Comitê Olímpico do Brasil (COB) admitiu que o desempenho da equipe nacional nos Jogos Pan-Americanos de Toronto, encerrados ontem, ficou um pouco abaixo do esperado.

Mas isso não fez com que a entidade responsável pelo esporte brasileiro diminuísse a audaciosa meta de terminar os Jogos Olímpicos de 2016, no Rio de Janeiro, entre os dez melhores colocados, levando-se em conta o número total de medalhas.
Para atingir o alvo do COB, o país terá que quase dobrar o número de pódios conquistados na última edição olímpica, em 2012, em Londres, quando obteve 17 medalhas – recorde do país em uma única edição –, terminando em 14º lugar na contagem geral.

Considerando que a Itália, décima colocada em Londres, conquistou 28 medalhas naquela edição, para ficar no top 10, o país irá precisar faturar entre 27 e 30 medalhas em 2016.

Na avaliação do presidente do COB, Carlos Arthur Nuzman, apesar da boa campanha, muitos dos resultados obtidos em Toronto são insuficientes para garantir conquistas significativas na Olimpíada.

“Não devemos fazer nenhuma comparação dos Jogos Pan-Americanos com os Jogos Olímpicos. Aqui estão presentes 41 Comitês Olímpicos, no Rio serão 205. No Pan existe uma concentração de países na briga pelo topo, na Olimpíada são muitos mais na disputa. Nossa meta era superar Guadalajara no número de atletas e no número de pódios e conseguimos”, afirma Nuzman.

Apesar disso, o desempenho brasileiro no Canadá pode ser um indício de que o país está no caminho certo para a disputa no Rio. Até hoje, quase 80% das medalhas olímpicas que o país coleciona foram conquistadas por atletas com desempenho positivo também em edições de Jogos Pan-americanos.

Desde 1951, quando foi disputado o primeiro Pan da história, em Buenos Aires, as 73 medalhas olímpicas que o Brasil levou, em 94 possíveis, foram precedidas por pódios na competição continental.

Estratégia estabelece modalidades prioritárias

Para atingir o objetivo de terminar no top-10, o COB separou as modalidades em que o Brasil pode conquistar medalhas em três tipos: vitais, potenciais e contribuintes.
Nas vitais, o comitê conta como certa a conquista de mais de uma medalha por modalidade. As potenciais são aquelas que devem conquistar pelo menos uma medalha. E as contribuintes, que apesar de não serem certeza de pódio, têm uma boa possibilidade de conquistar medalhas.
Além disso, o COB criou ainda uma quarta subdivisão entre as 28 modalidades que serão disputadas.
Chamada de “legado”, ela visa ao desenvolvimento de algumas modalidades para que o país tenha chance de medalhar nos Jogos Olímpicos Tóquio 2020 em diante.

Caminho dourado

Outra forma de o Brasil alcançar o objetivo de terminar entre as dez melhores nações no quadro de medalhas da Olimpíada do Rio é por meio das medalhas de ouro. Na comparação com Londres 2012, o país teria que conseguir subir no lugar mais alto do pódio pelo menos oito vezes.

O judô, a natação e o vôlei (de quadra e de praia), por exemplo, teriam que conquistar juntos seis medalhas de ouro, ou duas em cada. Além disso, o futebol precisaria conquistar ao menos um título, assim como o handebol, o que no caso do feminino é viável.

Favorito na ginástica por argolas, o campeão olímpico e mundial Arthur Zanetti deve contribuir com um ouro. Também há uma esperança de ouro na canoagem com Isaquias Queiroz e, no salto com vara, Fabiana Murer não seria nenhuma surpresa.

Ou seja, de uma expectativa real de onze medalhas douradas, o Brasil precisaria ter um aproveitamento superior a 70%.

Judô pode surpreender

O judô também pode ajudar neste complicado objetivo. Com judocas do nível de Érika Miranda, Charles Chibana, Rafaela Silva, Mayra Aguiar, Rafael Silva e Sarah Menezes, não seria surpresa se a equipe terminasse a competição com mais de dois ouros.

 

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