Enquanto os ventos fracos atrapalham o desempenho de muitos velejadores, a brasileira Patrícia Freitas tem conseguido tirar proveito da adversidade nos Jogos Pan-Americanos de Toronto, no Canadá. Em busca do bicampeonato, ela está liderando com folga a classe RS:X, com três vitórias e um segundo lugar em quatro regatas.

Para Patrícia, o bom condicionamento físico tem sido essencial para a disputa no Lago Ontário. "Essa condição exige muito do preparo físico e estou bem forte", avaliou. Ela faz academia e ainda dedica duas horas diárias ao ciclismo para fortalecer a musculatura da perna e ainda usa uma máquina de remo para aperfeiçoar o movimento usado na vela. Isso sem falar no trabalho na água, com o auxílio do técnico, para praticar manobras, técnicas de remada, velocidade, estratégia de regata, tática e leitura do vento e do mar.

Em Toronto, a primeira regata exigiu um esforço maior dos atletas, que tiveram de aguardar mais de uma hora na água e debaixo de sol para o início da competição. Mesmo acostumada a essa rotina, Patrícia ficou um pouco enjoada durante a espera, vítima de uma insolação. Para tentar driblar os efeitos negativos, os competidores usam o tempo ocioso para se hidratar, cuidar da alimentação e conversar com o técnico sobre o vento e a corrente.

Sem fazer parte de uma família com tradição no esporte, Patrícia Freitas diz que teve de procurar "o caminho das pedras". Hoje conta com uma boa estrutura em seu dia a dia de treinamentos em Búzios (RJ).

Em abril, ela ficou em terceiro lugar na Copa do Mundo em Hyère, na França, e sua meta é chegar aos Jogos Olímpicos no Rio, em 2016, com chances de brigar por uma medalha. Para isso, Patrícia terá a vantagem de competir em casa. "Velejo na Baía de Guanabara desde que nasci, conheço muito bem a raia e estou bem confortável em correr em casa".