Em quase quatro mil jogos, nos seus primeiros 45 anos de existência, o Mineirão teve oito partidas com o placar de 7 a 1, a última em 1983. Todos tinham sido aplicados por Cruzeiro, América ou Atlético, em confrontos contra times de menor expressão. O mais badalado era a goleada cruzeirense sobre o Alianza, do Peru, pela Libertadores de 1976, numa espécie de homenagem a Roberto Batata uma semana após a sua morte.

Na tarde de 8 de julho de 2014, o 7 a 1 virou uma marca do Mineirão. E colocou o estádio para sempre na história do futebol mundial.

Após um ano do vexame, craques que participaram dos outros 7 a 1 do Mineirão, e que construíram uma história com a camisa da Seleção, falam das suas percepções sobre o resultado.

“Estava em casa, vendo o jogo pela televisão. No final do primeiro tempo, com o placar já em 5 a 0, senti uma tristeza muito grande. Nem nós, brasileiros, estávamos acreditando muito na Seleção, mas foi uma decepção total. É um marco negativo na história do nosso futebol”, revela o ex-atacante Palhinha.

“O jogo estava 1 a 0 e me distraí com as pessoas. De repente, começaram a sair gols em série. Começou tudo errado. Convocação, a própria comissão técnica, dirigentes. A somatória de todos esses equívocos explica os 7 a 1 e o que estamos vivendo hoje”, analisa Procópio, ex-zagueiro e treinador de Cruzeiro e Atlético e que participou do primeiro jogo da Seleção no Mineirão, em 1965, quando defendia o Palmeiras.

Procópio critica ainda a estrutura do futebol brasileiro, pois, na opinião dele, a força da Seleção depende dos clubes, que vivem um momento lamentável. “Não se pode falar em Seleção sem falar nos clubes. E eles estão ficando cada vez mais pobres, e os dirigentes cada vez mais ricos”, garante.

Despreparo

Um dos zagueiros mais técnicos da história do futebol mundial, titular da Seleção na Copa de 1982, Luizinho destaca o despreparo do time de Scolari: “Foi um caos. Isso não poderia ter acontecido. O Felipão falou em apagão, mas o time do Brasil não foi preparado para disputar a Copa. Por isso perdeu de forma tão vexatória”.

Com o orgulho de quem representou o Brasil num Mundial ferido, Luizinho sentencia: “Os 7 a 1 mostraram que não somos mais os mesmos. Não temos mais o futebol arte”.

“Na minha época de Seleção, a gente tinha rivalidade com a Alemanha, mas ganhava. Agora aconteceu o contrário. A superioridade da Alemanha foi muito grande, mas o placar não deixa de ser uma surpresa” Luizinho - ex-zagueiro da Seleção

“No jogo anterior no Mineirão, após a disputa de pênaltis, o Thiago Silva, que era o capitão, chorou de forma descontrolada. A Seleção estava desregulada. E o fator emocional influencia muito, para o bem ou para o mal” Palhinha - ex-atacante da Seleção