Atlético e Cruzeiro disputam a partir de hoje, às 16h, no Independência, o 13º mata-mata entre eles neste século, valendo uma vaga na decisão do Campeonato Mineiro. Nos 12 anteriores, os cruzeirenses levaram vantagem em nove (75%). Mas o que move os dois confrontos pelas semifinais do Estadual é a chance que os atleticanos têm de encerrar a série, no próximo final de semana, no Mineirão, com a terceira maior sequência de invencibilidade da história do clássico.
 
A última vitória cruzeirense foi em 28 de julho de 2013, uma goleada por 4 a 1, pelo turno do Brasileiro, quatro dias depois de o Atlético, que jogou com os reservas, vencer a Copa Libertadores.
 
Atualmente, o Galo já soma nove jogos sem derrota para a Raposa, numa série iniciada em 13 de outubro de 2013, com uma vitória por 1 a 0, gol de Fernandinho, em partida válida pelo returno do Campeonato Brasileiro.
 
Com a experiência de quem viveu recentemente a rivalidade do clássico mineiro, o ex-jogador Roger, hoje comentarista do SporTV, garante que esse tipo de situação afeta sim o clube que está vivendo um momento ruim no clássico diante do maior rival.
 
“Coloca uma pressão maior naquele que está há nove jogos sem vencer, sem dúvida nenhuma. Pressão da torcida, da própria diretoria. Isso, meio que inconscientemente, vai martelando na cabeça dos jogadores. Eles têm que ser profissionais e experientes o suficiente para lidar com esse tipo de situação”, afirma Roger.
 
Provável substituto de Leandro Donizete, suspenso, o volante Josué concorda com Roger, e vê como um fator positivo para o Atlético, na decisão que começa hoje, a supremacia na história recente do clássico.
 
“O Atlético, realmente, tem um retrospecto positivo nos últimos jogos. Vem melhor no clássico e é muito melhor jogar um clássico estando com resultados positivos nos últimos confrontos. Estamos bem preparados para mais esse jogo, até porque a vantagem é do Cruzeiro e temos que ter uma forte concentração”, afirma o experiente jogador.
 
Dois lados
 
O goleiro Fábio já viveu os dois lados da moeda quando se trata de tabu no clássico. Entre 2007 e 2009, participou de dez dos 12 jogos em que o Cruzeiro se manteve invicto diante do maior rival. Agora, amarga a supremacia atleticana no confronto. Talvez até pelo momento atual ser ruim, o capitão cruzeirense evitou valorizar muito a situação.
 
“São situações diferentes. Jogos que o Cruzeiro poderia ter vencido e, às vezes, não conseguiu a vitória por detalhes, que é o que acontece nos clássicos. Temos jogadores que estão há três meses dentro do Cruzeiro e também dentro do Atlético. É uma nova oportunidade para os dois times poderem se enfrentar, com cada um buscando o melhor para sua equipe”, garante Fábio.
 
Mistério une atleticanos e cruzeirenses na preparação
 
Além da invencibilidade de nove jogos no clássico, o Atlético defende outra marca no confronto de hoje, pois nunca perdeu para o Cruzeiro em partidas disputadas no novo Independência, inaugurado em abril de 2012.
 
Depois disso, em oito confrontos, foram cinco vitórias atleticanas e três empates, sendo o primeiro deles, em 26 de agosto de 2012, com mando do Cruzeiro, que teve apenas a sua torcida na arena.
 
Com tanta coisa em jogo, os dois lados adotam o mistério como arma na preparação para a partida de hoje.
 
No Atlético, que quinta-feira fez 2 a 0 no Santa Fe, da Colômbia, também no Independência, pela Copa Libertadores, as dúvidas são por questões físicas.
 
Os exames que apontam o risco de lesões musculares nos jogadores apontam que atletas como Marcos Rocha, Leonardo Silva, Dátolo e Lucas Pratto apresentavam, ontem, índices altos.
 
A reação dos jogadores é que vai determinar o aproveitamento no confronto de hoje.
Para aumentar o mistério, o técnico Levir Culpi não revelou a lista de quais jogadores estão relacionados para o clássico.
 
Uma certeza é que o atacante Thiago Ribeiro, contratado esta semana, deve estar no banco de reservas e pode fazer sua estreia.
 
No Cruzeiro, que jogou pela Libertadores na quarta-feira, quando fez 3 a 0 sobre o Mineros, da Venezuela, no Mineirão, a preocupação não é com o desgaste no clássico, mas para a partida decisiva da próxima terça-feira, contra o Huracán, da Argentina, em Buenos Aires, pela competição continental.
 
O treinamento de ontem de manhã, na Toca da Raposa II, foi praticamente todo fechado para a imprensa.
 
O técnico Marcelo Oliveira, que não confirma o seu time, relacionou 21 jogadores para o clássico de hoje. O lateral-esquerdo Fabrício, que chegou ao clube nesta semana, está na lista e pode até começar como titular, caso o chileno Mena seja poupado para o compromisso de terça-feira, pela Copa Libertadores.