“Viajei por todo o Brasil, do Oiapoque ao Chuí, e não encontrei nada igual como a turma da UTI”. Engana-se quem pensa que a Unidade de Treinamento Intensivo (UTI) esteja ligada a algum hospital, pois animação não falta a quem faz parte do time de futebol que utiliza essa sigla. A visão sobre o grupo revelada pelo comerciante aposentado Walter Cardoso, 79 anos, o Cardosinho, sintetiza o valor da amizade para um grupo de aproximadamente 70 pessoas. Dividos em várias equipes, esses atletas se encontram aos sábados, no Clube BH.
 
O “vovô” do grupo garante que a pelada aos finais de semana é sagrada. Ligado ao futebol desde a década de 90 – antes praticava o vôlei com mais frequência –, Cardosinho colhe os frutos da prática do esporte, que o ajuda a manter a saúde em dia, bem como as amizades.
 
“Chego as oito horas da manhã. Jogo bola até 11h e participo de um churrasco com cerveja sem hora para acabar. A UTI é uma família, somos amigos do peito mesmo”, vibra Cardosinho, que as vezes tem a presença da esposa Maria Edir na arquibancada.
 
Deixando a modéstia de lado, ele comenta as façanhas de ser artilheiro. “Sou o Romário do time. O gol mais bonito aqui foi meu. Deveriam colocar uma placa, em minha homenagem. Fiz um gol de calcanhar, encobrindo o goleiro. Nem Ronaldinho Gaúcho marcou um tão bonito”, gaba-se. Mas o atleta ainda tem um desejo neste ano, de se sagrar campeão do torneio do clube. “O Celmo (um dos participantes da UTI) já foi cinco vezes campeão. Vou entrar para o time dele e ver se consigo ser campeão antes de morrer”, brinca.
 
Histórias mil
 
O simpático e animado Cardosinho coleciona histórias ao longo dos anos. Orgulhoso por ser um exemplo para pessoas de todas as idades , o ilustre jogador quebrou a perna, jogando futebol, há cinco anos. “O médico me perguntou se havia caído no banheiro”, brinca.
 
Torcedor do Galo, o artilheiro se lembra de um encontro especial com o ex-ídolo atleticano Marques. “Jogamos com ele e foi sensacional.” Vizinho de Paulo Isidoro, Cardosinho prometeu ao também ex-ídolo do Atlético levá-lo para jogar, antes de pendurar as chuteiras, quando completar 80 anos, em junho.