Finalistas da Copa do Brasil, Cruzeiro e Atlético têm treinadores que, além dos nomes escritos na história dos dois clubes, buscam outras fontes de renda fora do futebol.
 
Marcelo Oliveira, ídolo do Galo como jogador e bicampeão brasileiro com a Raposa como treinador, fora das quatro linhas trabalhou com o sogro por mais de dez anos no comércio de joias, numa época em que estava afastado do futebol. Atualmente, ele investe parte do que ganha como técnico em imóveis residenciais e comerciais.
 
Disciplinado desde criança, Oliveira sempre teve boas notas na escola, mesmo sem ser o mais estudioso. O irmão mais velho, Maurício, diz que Marcelo é um grande exemplo a ser seguido. “Desde criança, ele é muito carismático e querido por todos. É bom filho, bom pai e mantém a humildade, apesar de todo sucesso”, afirma o irmão. “O Marcelo não fala alto, na usa palavrões e, por isso, as pessoas têm um respeito grande por ele”, completa Maurício.
 
Dentro das quatro linhas, o cauteloso e inteligente Marcelo Oliveira faz a Raposa encantar o país, mesmo sem um esquema inovador e mirabolante. Jogando o chamado “arroz com feijão”, e explorando ao máximo a capacidade de suas peças, ele se tornou bicampeão nacional e nesta quarta tem a chance de conquistar também a Copa do Brasil, competição em que foi vice-campeão por duas vezes, pelo Coritiba.
 
Culinária
 
Já o agitado e “língua solta” Levir Culpi, campeão da Copa do Brasil pelo Cruzeiro em 1996, e técnico que levou o Galo de volta à elite do futebol, dez anos depois, é um investidor do ramo da culinária e de eventos.
 
Natural de Curitiba, Levir e a esposa Marília têm na cidade um restaurante de comida mineira, um de comida japonesa e um buffet. “Quando ele está em Curitiba, no restaurante, faz questão de ir de mesa em mesa para conversar com os clientes”, diz Marília.
 
Sobre o estilo do pai, Mayra conta o que pouca gente sabe. Levir é muito brincalhão e não perde a chance de fazer uma piada. “Ele está o tempo todo fazendo piada com todos e com tudo. Adora pegar no pé das pessoas”.
 
Exigente e disciplinador, Levir trouxe para o Brasil algumas das experiências aprendidas no Japão. Acabou com as concentrações antes das partidas e, com um esquema de muita velocidade, fez do Galo um dos times mais respeitados do país.
 
Juntos, treinadores somam cinco decisões
 
Apesar de ser a primeira decisão entre os rivais Cruzeiro e Atlético numa final nacional, os técnicos Marcelo Oliveira e Levir Culpi, amigos pessoais, não são marinheiros de primeira viagem na fase decisiva da Copa do Brasil. Finalista em duas oportunidades, ambas pelo Coritiba, em 2011 e 2012, o técnico celeste foi vice-campeão em ambas. No entanto, com moral após o bicampeonato nacional, conquistado de forma consecutiva, o treinador tem o respeito e a admiração dos jogadores. “O Marcelo está fazendo um grande trabalho. Não é fácil manter esse grupo com tantos jogadores renomados, em um elenco tão qualificado” diz o meia atacante Willian. “Ele é um cara sensacional. Um cara amigo, que sabe conversar com todos os jogadores”, completa.
 
Já o comandante alvinegro foi finalista em três oportunidades. Pelo Cruzeiro, Levir foi campeão em 1996 e vice em 1998. Em 2000, comandando o São Paulo, o treinador foi derrotado pela Raposa e acabou ficando mais uma vez na segunda colocação do torneio. 
 
Assim como o adversário desta quarta, o treinador atleticano tem o respeito dos jogadores. “O Levir vem fazendo um bom trabalho, nos passa confiança e segurança” destaca o atacante Diego Tardelli.
 
Caso mantenha a vantagem conquistada no primeiro jogo, no qual derrotou o Cruzeiro por 2 a 0, no Independência, o Atlético conquistará seu primeiro título na competição. Já o Cruzeiro, caso consiga inverter o placar, levantará o caneco da Copa pela quinta vez em sua história.