O sucesso de Cruzeiro e Atlético tem ingredientes comuns. Mas um aspecto enraizado no futebol brasileiro é um ponto divergente. No regime aberto de Levir Culpi, baseado em pressupostos da cultura japonesa, não existe a concentração em véspera de jogos. Mas no Cruzeiro, ficar na Toca da Raposa é sinal de foco no trabalho. Para a decisão da Copa do Brasil, a receita dos dois lados é simples: para que mudar o que vem dando certo?

Na final mais especial da história do clássico mineiro não haverá mudanças de estratégia. O Galo não fará a concentração, como ficou combinado com o treinador. A opção é tida, nos bastidores do clube, como fator principal para a união dos atletas com o técnico, após um começo de relação com atritos.

O Cruzeiro já está em regime fechado de concentração desde às 22h dessa segunda-feira (24). Os jogadores fizeram regenerativo, voltaram para casa, beijaram suas esposas e iniciaram o processo de foco total na decisão. Para Marcelo Moreno, é válido esse tipo de escolha, mas o artilheiro celeste deixou implícito que é possível, um dia, a Toca II também abolir a concentração.

“Cada um tem a sua forma de pensar (sobre concentração). Algum dia, quem sabe aqui a gente possa fazer igual ao Atlético. Mas precisamos descansar e entrar concentrado nesse jogo. A gente vem fazendo isso o tempo todo e não tem por que mudar contra o Atlético”, afirmou o camisa 18.

MINORIA

No primeiro jogo da final da Copa do Brasil, mesmo sem obrigação, dois jogadores alvinegros se concentraram na Cidade do Galo. Contudo, a prática de Jemerson e Marion não será adotada pelo restante.

Em um jogo que é tratado como batalha dentro do clube, um momento com a família não pode ser dispensado. “A gente não concentrou até agora e está ai o resultado nosso, estamos na final da Copa do Brasil sem concentrar, deu certo, vamos assim até o final. Cada um ficando com a sua família, é importante eles ficarem ao nosso lado”, ressaltou o atacante Diego Tardelli, um dos que viu na opção de Levir uma chance de “fechar” com o treinador.

O rendimento de Tardelli cresceu visivelmente com a manobra que conquistou o elenco. “Na quarta-feira a gente vem, descansa. Não tem porque mudar, o Cruzeiro já faz isso o ano todo. É norma deles, mas a gente não concentra não”, completou DT9.