Mais de 4,6 milhões de votos (63,4% dos votos válidos) para o Senado tornaram o ex-jogador e deputado federal Romário (PSB-RJ) o campeão de votos entre os políticos ligados ao futebol nestas eleições. Em sua legislatura como deputado, o ex-atacante adotou como bandeira a defesa de políticas para crianças com deficiências e com doenças raras. Outra área de atuação do parlamentar se deu no combate à corrupção no futebol e aos gastos excessivos com a Copa do Mundo.

Durante seu mandato, Romário bateu de frente com o Governo Federal e com a Confederação Brasileira de Futebol (CBF), usando várias vezes a tribuna da Casa para tecer ataques contra os dirigentes da entidade. Em entrevista ao Estadão Conteúdo, o senador eleito fala sobre seus planos para o próximo mandato.

Em relação à próxima legislatura, quais projetos o senhor pretende apresentar?

Acompanho de perto o futebol e tenho intenção de apresentar projetos para melhorar o futebol, mas minha bandeira maior é o avanço das políticas para as crianças com deficiências e com doenças raras. Minha filha Ivy, de nove anos, que tem Síndrome de Down, foi minha inspiração para entrar na política e me candidatar.

A Lei de Responsabilidade Fiscal do Esporte (Proforte) foi aprovada parcialmente em maio deste ano sem uma parte do texto, que previa a taxação da CBF para a formação de novos atletas e a realização de uma auditoria das contas da entidade. O que o senhor pretende fazer agora em relação a essa questão da CBF?

Vamos colocar de volta esses artigos em forma de emendas ao projeto de lei. Já conversei com o Bom Senso FC há dois meses sobre isso. Posso discutir a ideia de apresentar outro projeto, quando estiver no Senado, mas vamos tentar emendas para voltar com as propostas, que foram tiradas na comissão especial que discutiu o assunto.

Que principais medidas, resumidamente, o próximo governo deveria adotar para melhorar a situação em que se encontra o futebol no País?

Uma iniciativa que deveria ser imediata do governo seria mobilizar a base para aprovação da Lei de Responsabilidade Fiscal do Esporte. É o primeiro passo para a moralização. Defendo também a CPI da CBF, que está na fila para ser instalada. Seria muito importante que houvesse uma grande mobilização, com apoio do governo, para que essa investigação acontecesse no Congresso.