O Juizado Especial e o Ministério Público (MP) foram barrados no Mineirão. As ocorrências registradas neste domingo (3) pelas polícias Militar e Civil ficaram apenas no papel por falta de infraestrutura. Pelo menos 15 pessoas envolvidas em crimes de pequeno delito e cadeirantes que não conseguiram entrar no estádio foram liberadas sem serem interrogadas pela Justiça.
 
“Na sala onde as pessoas seriam ouvidas não tinha telefone, computadores e o único banheiro era apertado, sem água e papel”, disse a juíza Cláudia Helena Batista.  A magistrada afirma que o promotor do Juizado Especial, Renato Augusto Mendonça, não teve como trabalhar. Eles vão enviar um relatório sobre a falta de estrutura para o Tribunal de Justiça e para o MP.
 
A juíza Cláudia Helena disse que foi impedida de entrar no Mineirão. “Na entrada os funcionários me pediram uma credencial que não foi entregue. Mesmo mostrando meus documentos de juíza, fui impedida de entrar. Depois de alguns minutos (não soube precisar o tempo) a minha entrada foi permitida”.
 
Depois de conseguir chegar na sala onde o juizado trabalharia, a juíza alega que foi impedida de acessar a área onde estava os torcedores. “Eu recebi denúncias de superlotação e sobre a falta de estrutura. Quando o meu acesso e do promotor foram liberados, constatei que tinha várias pessoas em pé, alegando que não tinha cadeira para sentar”, afirma.
 
A equipe do Juizado Especial era formada por oito pessoas, entre elas três juízes que vão tomar posse em abril. Eles foram ao Mineirão para um treinamento, mas também não puderam trabalhar por falta de estrutura, segundo Cláudia Helena.
 
O promotor Renato Augusto de Mendonça conseguiu interrogar um homem que estava parado no corredor do Mineirão porque não tinha um espaço reservado para os portadores de necessidades especiais.
 
“Eu trabalhei em junho de 2010, no último jogo antes do fechamento do Mineirão. Tenho saudade daquele dia, quando eu tive condições de trabalhar junto com o Ministério` Público", disse.
 
O Juizado Especial atua junto com o MP nos crimes considerados de pequena gravidade, como por exemplo, cambistas flagrados vendendo ingressos e pessoas presas fumando maconha. Nestes casos a pessoa já sai do estádio com uma sentença determinada no Terno Circunstanciado de Ocorrências (TCO).
 
Ocorrências
 
Um homem acusado de quebrar uma cadeira no Mineirão, preso pela Polícia Militar, saiu do estádio sem ser ouvido pela Justiça. Edivar Silva Novaes, 29 anos, foi preso pela Polícia Militar logo depois de quebrar o assento do setor leste.
 
A Polícia Militar registrou dez ocorrências até a noite deste domingo referentes ao clássico. Uma delas de um adolescente flagrado comprando salgadinhos com uma moeda de R$ 0,50 que seria falsa.
 
Uma outra ocorrência tinha 18 vítimas que alegam ter comprado ingressos em um site falso. Elas alegam que pagaram R$ 80 para o setor superior, mas ao chegarem ao estádio foram informados que o ingresso era falso. O nome do site que teria enganado as pessoas não foi divulgado.