O PDT mineiro participará da convenção nacional do partido, marcada para acontecer nesta sexta-feira (21), convencido de que a sigla não tem outra opção a não ser o lançamento imediato do ex-governador do Ceará, Ciro Gomes, à Presidência da República, mas ainda sem saber como será o palanque do presidenciável no Estado. Por conta do novo avanço da pandemia de coronavírus, o evento será online. Logo após, conforme divulgou a direção nacional do PDT, haverá o lançamento do nome de Ciro Gomes como presidenciável do partido.

Segundo admite o deputado federal Mário Heringer, presidente do PDT de  Minas Gerais, o partido está decidido a pôr uma pedra nos rumores de que o cearense poderia desistir de concorrer, afetado de um lado pelo desempenho insatisfatório nas pesquisas (em torno de 6% a 12%, dependendo do instituto) e de outro por manifestações vindas da bancada pedetista na Câmara dos Deputados em favor do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, provável representante do PT na disputa. "Bem ou mal, uma candidatura própria fortalece muito mais nosso desempenho nas eleições proporcionais", reforça Heringer, um entusiasta da campanha de Ciro. "Não tem isso de que ele vai desistir", pontua.

Se a candidatura de Ciro à Presidência, conforme banca Heringer, é líquida e certa, em Minas, a situação do partido ainda está longe de uma definição. Isso porque a adesão à eventual candidatura do prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PSD), ao governo do Estado – retribuída com a garantia do palanque cirista –, que era dada como mais provável até pouco tempo, pode ter subido no telhado.

Há pelo menos dois empecilhos para vencer. Primeiro, é preciso que Kalil se comprometa com esse desenho em que ele teria o apoio do PDT e em troca garantiria o palanque de Ciro em Minas. E outro ponto é que o PDT deseja indicar o candidato ao Senado na chapa, sendo os nomes mais fortes hoje o de Heringer e o da vereadora de BH Duda Salabert. Kalil ainda não assumiu a candidatura, mas já disse mais de uma vez que "todo prefeito da capital é candidato ao governo".

Nos bastidores, entretanto, não é a indefinição de Kalil que está incomodando o PDT, mas sim os crescentes rumores de que o prefeito da capital estaria caminhando para compor com o PT. Nesse caso, em vez de Ciro, Kalil subiria no palanque de Lula, com o PT na vice ou na vaga para o Senado – os nomes do PT ventilados para as vagas são, respectivamente, dos deputados federais Patrus Ananias e Reginaldo Lopes.

Esse cenário para o PDT significa acionar o plano B e assim garantir a qualquer custo um palanque para Ciro em Minas, com Duda Salabert na disputa do governo e Heringer, do Senado.

Como será a convenção
Minas Gerais participará com 26 delegados. São perto de 400 no total. O atual presidente nacional do partido, Carlos Lupi, será reconduzido ao cargo, desta vez para mais quatro anos de mandato, em vez dos três anos do atual estatuto do partido. A mudança se deu, de acordo com Heringer, para que a convenção nacional coincida com as eleições presidenciais, de quatro em quatro anos. Minas permanecerá com dois integrantes na executiva nacional: o próprio Heringer e a secretária geral do PDT Minas, Sirley Soalheiro.

A convenção ocorrerá um dia antes do centenário de Leonel Brizola, ex-governador do Rio Grande do Sul e do Rio de Janeiro, fundador e principal referência do PDT. "Nossa pretensão era realizar um evento grande, mas com o avanço da pandemia, isso se tornou inviável. Faremos um lançamento mais grandioso em um outro momento", explica Heringer. Ele disse que, ainda assim, o pontapé na candidatura de Ciro Gomes será dado, inclusive com a apresentação de novo material de campanha, a ser feito pelo marqueteiro João Santana.