Em depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pandemia do Senado, nesta quarta-feira (11), o diretor executivo da farmacêutica Vitamedic, Jailton Batista, disse que não vendeu nenhum comprimido de ivermectina ao governo federal. A empresa, com sede em Anápolis (GO), é uma das principais produtoras desse medicamento no país, que não possui comprovação científica no tratamento contra a Covid-19.

Ainda sobre o produto que compõe o chamado kit Covid para tratamento precoce da doença, prescrito por alguns médicos, Batista disse que vendeu diretamente, ao estado de Mato Grosso, 350 mil unidades do remédio.

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Em depoimento à CPI da Pandemia do Senado, Jailton Batista, da Vitamedic, disse que não vendeu nenhum comprimido de ivermectina ao governo federal

O executivo acrescentou que mais de 1 milhão de unidades de caixas com quatro comprimidos de ivermectina foram compradas da Vitamedic por prefeituras de municípios de pequeno e médio portes. Entre os exemplos de estados que adquiriram lotes do remédio estão Paraná, Goiás e Ceará. "Vários municípios (compraram) e alguns fizeram a aquisição direto conosco. Podemos fornecer a lista até amanhã", disse.

Lucros

De acordo com relatórios enviados à CPI, apenas as vendas da ivermectina da Vitamedic saltaram de 24,6 milhões de comprimidos em 2019 para 297,5 milhões em 2020 um crescimento superior a 1.105%. O preço médio da caixa com 500 comprimidos subiu de R$ 73,87 para R$ 240,90, representando um incremento de 226%.

O relator do colegiado, senador Renan Calheiros (MDB-AL), quis saber se declarações do presidente Jair Bolsonaro a favor do medicamento tiveram reflexos no aumento. “Não temos como medir. Antes que houvesse alguns pronunciamentos, desde a eclosão da pandemia, quando os primeiros estudos in vitro apontaram que a ivermectina tinha alguma ação, isso desencadeou o interesse pelo produto e ele passou a ter visibilidade maior”, afirmou o depoente.

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