A Polícia Federal de Montes Claros, no Norte de Minas, indiciou uma quadrilha acusada de roubar dinheiro do Sistema Único de Saúde (SUS) destinado a pacientes com doenças graves. A acusada de comandar o esquema é Andrea Maciel Dias Bueno, funcionária concursada da Prefeitura de Montes Claros.

Apesar do indiciamento, ela continua trabalhando normalmente, pois, para ser demitida, precisa que seja concluído o processo administrativo interno aberto para apurar a irregularidade.

Enquanto isso, a Polícia Federal descobriu que ela, com a ajuda de outras cinco pessoas, teria desviado, em apenas oito meses, cerca de R$ 70 mil. O recurso era destinado aos pacientes do SUS. Seria utilizado para que comprassem passagens de ônibus ou de avião e pagassem a estadia em centros de tratamento como Rio de Janeiro, São Paulo e Belo Horizonte.

Andrea é acusada de entrar no sistema municipal de saúde e emitir autorizações de pagamento em nome dos pacientes. Ela se utilizava de “laranjas” para fazer os saques. “Ela fraudava os recibos de tratamento fora de domicílio. A prefeitura repassa o dinheiro do SUS ao paciente para cobrir as despesas com o deslocamento. Estes pacientes são verdadeiros e já cadastrados pela prefeitura. A maioria sofre de câncer ou problemas cardíacos graves”, afirmou o delegado responsável pelos indiciamentos, Geraldo Antônio Dias Guimarães.

Segundo ele, como os pacientes eram reais, dificultava o descobrimento da fraude.

Concursada

Andréa entrou no serviço público em novembro do ano passado. Foi descoberta em julho deste ano pela Polícia Federal, que realizou a investigação. De acordo com o delegado, a mulher ficou afastada para tratamento de saúde, após a descoberta do esquema. Segundo Geraldo, a Secretaria de Saúde pediu a abertura de inquérito contra a funcionária.

Outro lado

O Hoje em Dia tentou contato com Andrea em várias unidades da Secretaria de Saúde de Montes Claros, mas não obteve êxito. Na secretaria chegou a informação de que ela trabalhava a partir das 13 horas, porém, não foi encontrada no horário mencionado.

De acordo com o delegado federal de Montes Claros, a funcionária pública utilizava como “laranjas”, para sacar o dinheiro da fraude, pessoas próximas a ela como amigos e até mesmo a empregada doméstica.