O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, durante um interrogatório de quase cinco horas nesta quarta-feira (10) ao juiz federal Sérgio Moro, em Curitiba, fez duras críticas ao processo que atribui a ele a propriedade de um apartamento no litoral de São Paulo. "Como eu considero esse processo ilegítimo e a denuncia uma farsa, estou aqui em respeito a lei, em respeito à nossa Constituição, mas com muitas ressalvas com o comportamento dos procuradores da Lava Jato", disse Lula no início do depoimento. (clique aqui para assistir trechos do depoimento)

Lula negou categoricamente as acusações de corrupção e denunciou sofrer uma perseguição judicial em um comício posterior, falando a milhares de simpatizantes. O juiz Moro assegurou que o ex-presidente, que governou o país entre 2003 e 2010, seria respeitado como todos os acusados ouvidos por ele e garantiu que não seria preso nesta quarta-feira.

"O senhor ex-presidente vai ser tratado com o máximo respeito, como qualquer acusado e igualmente pela condição do cargo que o senhor ocupou no passado, o senhor ex-presidente pode ficar absolutamente tranquilo quanto a isso", afirmou o juiz a Lula, destacando que "não tem qualquer fundamento" os boatos sobre uma prisão nesta quarta-feira.

"Esse interrogatório é um ato normal do processo", reforçou Moro. "Queria deixar claro que, apesar de algumas alegações nesse sentido, da minha parte não tem qualquer desavença pessoal em relação ao senhor ex-presidente, quem vai definir o resultado são as provas e a lei", prosseguiu. "Eu tinha confiança disso", reagiu Lula.

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O juiz Sérgio Moro tenta determinar se Lula é proprietário de um apartamento tríplex no balneário do Guarujá, em São Paulo, que teria recebido da empreiteira OAS em troca de vantagens indevidas. "Nunca solicitei e nunca recebi esse apartamento", afirmou Lula reiteradas vezes no interrogatório, segundo trechos do vídeo divulgados após a audiência.

Depois do interrogatório, Lula participou de um comício em Curitiba, que atraiu uma multidão. Desde a terça-feira (9), centenas de simpatizantes, procedentes de várias partes do país, chegaram à capital paranaense para dar seu apoio ao ex-presidente, que governou o país entre 2003 e 2010. "Vocês estão vendo alguém que está sendo massacrado", disse Lula à multidão. "Não quero ser julgado por interpretações, quero ser julgado por provas!"