Parlamentares do PSDB de Minas defendem pedir ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a inclusão da nova etapa da operação "Lava Jato" na ação que pode levar a Corte a cassar o mandato da presidente Dilma Rousseff (PT) e do vice dela, Michel Temer (PMDB).

Nessa segunda (22), a PF deflagrou a 23ª fase da "Lava Jato", batizada de Acarajé, cujos alvos principais são o marqueteiro João Santana e a empreiteira Norberto Odebrecht. Para os deputados da oposição, aumentaram as evidências de caixa 2 eleitoral e crimes financeiros na campanha presidencial de 2014.

"Sempre é possível incluir fatos, mas o processo que está tramitando já possui elementos suficientes para cassar o mandato. E quem disse isso não foi o PSDB, mas o juiz Sérgio Moro. Como não queremos que o processo se arraste indefinidamente, vamos analisar com bastante prudência. Nós temos certeza de que houve irregularidades na campanha e o pedido de prisão do marqueteiro da presidente reforça ainda mais os indícios de crime, como recebimento de dinheiro no exterior", afirmou o presidente do PSDB de Minas, deputado federal Domingos Sávio.

Para o deputado federal Marcus Pestana (PSDB), a ofensiva contra o marqueteiro evidencia, mais uma vez, a prática de caixa 2 eleitoral por meio de pagamentos em contas no exterior.

Pestana lembra do caso do mensalão, quando Duda Mendonça, então publicitário do PT, admitiu ter recebido do operador Marcos Valério e do ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares a quantia de R$ 15,8 milhões durante depoimento na CPI dos Correios, em 2005. A revelação quase derrubou o governo do ex-presidente Lula e foi o estopim para a criação do PSOL, formado por dissidentes do PT. Valério foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Duda foi absolvido.

"Se houver o compartilhamento de provas a defesa da presidente Dilma fica muito difícil. No auge do mensalão, o Duda Mendonça revelou ter recebido do PT através de uma conta no exterior. E, agora, o PT repetiu a mesma prática", declarou Pestana.

Responsável pela investigação que descobriu o mega esquema de corrupção na Petrobras, Moro sugeriu ao TSE que ouça os delatores da operação.

Em ofício encaminhado ao tribunal, em outubro do ano passado, mas tornado público na semana passada, Moro afirmou que há provas de que houve repasse a candidaturas do partido em troca de contratos da Petrobras. O esquema seria mascarado como doações eleitorais oficiais e também entregue como caixa 2.

O receio dos tucanos é o de que as novas revelações atrasem ainda mais a tramitação do processo que já está no TSE.

Em outubro do ano passado, cinco dos sete ministros da Corte eleitoral decidiram prosseguir com a ação movida pelo PSDB.