O presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), iniciou na tarde desta terça-feira (8), a sessão para escolha dos integrantes da comissão especial que será formada para decidir pela continuidade ou arquivamento do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff. Ele anunciou que a eleição será secreta.

O presidente da Câmara leu os nomes dos integrantes das chapas. A chapa governista enfrentará a chapa da oposição com oito deputados a mais na disputa pela composição da comissão especial. O grupo favorável ao governo inscreveu 49 deputados de 20 partidos, enquanto o grupo que defende o impedimento da presidente apresentou 39 nomes de 13 partidos. No entanto, os números da primeira chapa serão alterados.

A governista perdeu dois integrantes, os deputados Eduardo Bolsonaro (PSC-SP) e Marco Feliciano (PSC-SP). Eles apareciam nas duas chapas. O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), disse na abertura da sessão que serão consideradas as inscrições feitas pelo próprio parlamentar. Como na chapa original as indicações foram feitas pelos líderes, os dois nomes ficaram na chapa alternativa, batizada de "Unindo o Brasil".

Com isso, a chapa governista ficou com 47 deputados de 19 partidos. A alternativa, com 39 deputados de 13 partidos.

Questão de ordem

Após o presidente da Câmara declarar aberta a votação secreta da escolha dos integrantes da comissão do impeachment, a base do governo pediu questão de ordem, mas o Cunha não acatou afirmando que "não há questão de ordem e sim uma reclamação" por parte do deputado Paulo Teixeira (PT-SP). Em seguida, Cunha deu a palavra à deputada Jandira Feghali (PCdoB - RJ), que também pediu questão de ordem e solicitou que a votação seja realizada de forma aberta.

"É inconstitucional", disse. Cunha afirmou que responderá por escrito à solicitação da deputada. O deputado Wadih Damous (PT-RJ) disse que a constituição só estabelece votação secreta para casos excepcionais e engrossou o coro de Jandira. "Vossa excelência está inovando e está dando golpe parlamentar nesta casa, não podemos admitir isso", afirmou. O presidente da Câmara também não acatou a solicitação.

Alguns deputados obstruem as cabines de votação e Cunha solicitou que a segurança garanta a "liberdade de votação". O presidente da Câmara afirmou que a eleição se dará sem qualquer tipo de pronunciamento.