A Justiça Federal do Paraná recebeu ordem do Supremo Tribunal Federal (STF) para ouvir o ex-ministro José Dirceu (Casa Civil/ Governo Lula) sobre o pedido da Procuradoria-Geral da República de enviá-lo para cumprir pena em regime fechado. O ministro relator do caso, Luís Roberto Barroso, determinou que a oitiva ocorra "com a urgência que o caso requer".

Condenado a 7 anos e 11 meses em regime semiaberto por envolvimento do mensalão, Dirceu já havia progredido para o regime aberto e cumpria a pena em casa quando voltou a ser preso preventivamente em setembro passado por envolvimento no esquema de corrupção da Petrobras investigado pela Lava Jato.

Ele foi enviado para o Complexo Médico-Penal, em Pinhais, na região metropolitana de Curitiba. Na Lava Jato, o ex-ministro responde por organização criminosa, corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

De acordo com as investigações, os crimes foram cometidos até dezembro de 2014, ou seja, depois da condenação do mensalão e de ele ter sido transferido para o regime aberto.

Segundo o pedido assinado pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, não há necessidade de esperar o julgamento da ação contra Dirceu na Justiça Federal do Paraná para que a pena dele regrida ao regime fechado. "A denúncia oferecida foi lastrada em prova contundente e abundante da prática criminosa", destaca o documento.

Segundo relatórios da investigação, o esquema de corrupção atribuído ao ex-ministro movimentou mais de R$ 59 milhões em propinas. De acordo com a PF, Dirceu constituiu a empresa JD Consultoria e Assessoria para receber dinheiro ilícito do esquema da Petrobras.

A JD teria celebrado contratos falsos com as empresas Engevix Engenharia e Jamp Engenheiros Associados. As empresas teriam desviado propinas oriundas da Petrobras e utilizado os valores para reformar a casa e o apartamento de Dirceu e de seus familiares, segundo mostram as investigações.