O ex-diretor financeiro da UTC Engenharia, Walmir Pinheiro Santana, afirmou, em delação premiada à Procuradoria-Geral da República, que três campanhas eleitorais do PT em 2012 receberam dinheiro oriundo de esquema de corrupção na Petrobras. Os comitês municipais supostamente contemplados no Estado mineiro teriam sido de Belo Horizonte, Contagem e Montes Claros.

O ex-executivo afirmou à procuradoria que o contrato das obras do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj) entre a Petrobras e o Consórcio TUC – UTC, Odebrecht e Toyo do Brasil – teria sido fraudado. “Seriam construídas as unidades de utilidades por este grupo de empresas e “cobrado um aluguel” para a Petrobras”, afirmou durante delação.

A tal taxa de aluguel, entre outros compromissos, seria um pagamento de R$ 15,5 milhões ao PT. “R$1,8 milhão foram para algumas campanhas eleitorais (provavelmente para campanhas ao cargo de Prefeito): Municípios de Contagem, Belo Horizonte, Recife, Montes Claros, Campinas, São Bernardo doCampo”, diz trecho do depoimento (veja infográfico).

Quanto às três cidades mineiras, os candidatos petistas à prefeitura em 2012 foram o atual ministro do Desenvolvimento Agrário, Patrus Ananias (Belo Horizonte); o hoje secretário estadual de Desenvolvimento e Integração do Norte e Nordeste de Minas, Paulo Guedes (Montes Claros); e o deputado estadual Durval Ângelo (Contagem), atual líder do Governo.

Delator desconhecido

Os três ex-candidatos petistas perderam as respectivas eleições. Eles também foram unânimes em uma questão: todos afirmaram desconhecer completamente Santana, o ex-executivo da UTC responsável por fazer as acusações.

“Não tive qualquer participação financeira na minha candidatura em 2012. Me tornei candidato de última hora e uma das minhas principais condições para aceitar aquele condição foi justamente não ter qualquer relação com dinheiro”, disse Patrus.

“Desconheço completamente esse depoimento, esse delator, essa empresa ou qualquer outra envolvida em algum serviço prestado à Petrobras. Todas minhas doações foram oficiais e minhas contas, aprovadas pelo TRE-MG”, afirmou Paulo Guedes.

O líder do Governo na Assembleia Legislativa também garantir desconhecer qualquer doação à própria campanha. “Não conheço essa pessoa e nem cuidei das finanças. Nem mesmo sentei com a direção do PT nacional para receber doação, tudo o que veio deles foi padronizado, já que eles elegeram umas 200 cidades como prioridade”, garantiu Durval Ângelo.

José Dirceu

Santana também afirmou que o então ministro da Casa Civil de Lula, José Dirceu, recebeu R$ 1,69 milhão de propina da Comperj, enquanto o tesoureiro das contas presidenciais de 2006 e 2010 do PT, José de Filippi Júnior, ganhou R$ 400 mil.

Em nota, o partido diz que “todas as doações que o PT recebeu foram realizadas estritamente dentro dos parâmetros legais e declaradas à Justiça Eleitoral”. A defesa de José de Filippi Júnior não retornou os contatos da reportagem.

O criminalista Luiz Flávio Borges D’Urso, que representa o ex-tesoureiro do PT, diz não haver “nenhum elemento de prova que possa corroborar essas informações”. Segundo ele, Vaccari refuta as acusações. A defesa do ex-ministro José Dirceu afirmou desconhecer o teor do depoimento e negou irregularidades na relação dele com a UTC.

IRREGULARIDADES

Até então considerado “intocável” entre tantas acusações de corrupção que assolam o PT, Patrus tem enfrentado contratempos desde o início deste ano.

Em setembro, o empresário Ricardo Pessoa, dono da UTC, já havia declarado que deu dinheiro ilegal à campanha de Hélio Costa pelo governo do Estado em 2010, que tinha Patrus como vice. Segundo o empresário, um aliado teria solicitado R$ 500 mil para a campanha do PMDB/PT, sendo R$ 250 mil de forma oficial e R$ 250 mil em dinheiro, sem declaração. Também neste caso, Costa e Patrus negam as acusações.

Antes disso, em abril, a presidente Dilma havia restringido o uso de aviões da Força Aérea (FAB) por ministros, depois que foram divulgados abusos nas “caronas” por alguns ministros. Na ocasião, Patrus figurava no topo da lista dos ministros que usavam a estrutura da Força Aérea para voltar pra casa nos fins de semana. De 15 vezes que Patrus voou sozinho em jatos da FAB, 12 foram entre BH e Brasília.

Delator cita propina para abastecer campanhas de Patrus, Guedes e Durval