A Polícia Federal investiga suposta participação do governador de Minas, Fernando Pimentel, em esquema de desvio de dinheiro e tráfico de influência. De acordo com reportagem publicada no site da revista Época, a suspeita é a de que contratações irregulares via Ministério da Saúde tenham financiado a campanha de Pimentel. Na semana passada, a PF atribuiu ao governador o crime de falsidade ideológica alegando subfaturamento dos gastos de campanha.

O esquema teria sido revelado no desenrolar da Operação Acrônimo, que apura indícios de crimes de corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo o governador mineiro e o empresário Benedito Rodrigues de Oliveira, o Bené.

Segundo a Época, a PF mapeou mensagens de celular dos envolvidos que “demonstram que Bené, com auxílio de Fernando Pimentel, também possui ingerência no Ministério da Saúde acerca de aloca-ção de pessoas que possam auxiliá-los no atendimento de seus interesses”.

As mensagens mostrariam que a nomeação de Gilnara Pinto Pereira para a Subsecretaria de Assuntos Administrativos foi indicação de Pimentel, acatada pelo então ministro da Saúde, Arthur Chioro. Ainda de acordo com a revista, essa área chefiada por Gilnara acabou servindo tanto para financiar a campanha de Pimentel para o governo de Minas em 2014 como para abastecer o bolso de Bené. A empresa Gráfica e Editora Brasil, administrada pelo irmão e o pai de Bené, embolsou R$ 58,1 milhões em contratos com o ministério de 2013 a 2015. Alguns deles apresentam indícios de superfaturamento. “O órgão público parece ter gastado bem acima do que seria necessário”, concluiu a PF.

Segundo Época, a escolha da gráfica Esdeva como parceira da empresa da família de Bené não parece ter sido casual. A gráfica doou R$ 1 milhão para a campanha de Pimentel em 2014.