A reforma ministerial e outras medidas anunciadas pela presidente Dilma Roussef não são garantia de melhoria na governabilidade. Na avaliação de especialistas na área, o cenário político atual ainda é muito nebuloso e não dá margen para esse tipo de certeza.

“Da mesma maneira que existem visões distintas sobre a reforma dentro do PT, isso também ocorre dentro do PMDB, por isso a incerteza quanto ao seu resultado. A presidente pode conseguir apoio de alguns parlamentares com essas medidas, mas ela também pode perder o apoio de outros pela mesma razão”, explica o cientista político e professor da PUC Minas, Malco Camargos.

A eficácia das ações deve ser testada a partir de terça-feira da próxima semana, quando começam a ser apreciadas matérias importantes para o governo no Congresso, como os vetos presidenciais ao reajuste dos servidores do Judiciário e ao projeto de extensão da política de reajuste do salário mínimo a todos os aposentados.

“Essas medidas anunciadas impactam em duas questões. Na economia, ações de austeridade tendem a ter resultado positivo. Mas, na política, isso é mais difícil. O que temos agora é um governo muito diferente daquele constituído inicialmente, um governo montado para tentar conter as pressões”, afirma o cientista político e professor do Ibmec Oswaldo Dehon.

Ainda de acordo com o especialista, apesar de não ter a garantia de um impacto positivo na questão política, a reforma acaba por agravar a crise em torno do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB). “Ele indicou um dos ministros e isso rompe com aquela imagem vendida anteriormente de uma relação turbulenta com o Executivo. Quem defende autonomia e tem direito a indicação acaba criando uma contradição”, aponta Dehon. Cunha já está pressionado pela denúncia de que mantém contas irregulares na Suíça.