A tentativa da presidente Dilma Rousseff de fazer uma reforma ministerial que permita ao governo aprovar as medidas de ajuste fiscal e barrar os pedidos de impeachment sofreu nessa quinta-feira (24) um revés, adiando assim as mudanças. O principal entrave está no PMDB, divido entre grupos que não se entendem quanto às indicações para os cargos oferecidos pelo Palácio do Planalto.

O primeiro esboço da reforma ministerial foi anunciado pela presidente no dia 24 do mês passando, quando ela afirmou que iria cortar até dez pastas.

Além do PMDB, outro foco de preocupação para Dilma está no PT, que aproveita o momento de indecisão e a condição vulnerável de alguns ministros para tentar derrubar nomes de confiança da presidente: Aloizio Mercadante (Casa Civil), José Eduardo Cardozo (Justiça) e Joaquim Levy (Fazenda).

Diante do impasse, a presidente suspendeu o anúncio da reforma ministerial, que deve ocorrer na semana que vem. A intenção de Dilma, porém, era ter embarcado ontem para Nova York com a nova composição da Esplanada resolvida.

Em nota divulgada no fim da tarde, o Palácio do Planalto afirmou que a presidente estava "efetivando proveitoso diálogo com os partidos políticos com representação no Congresso Nacional" e que havia decidido adiar o anúncio porque alguns partidos que integram a base aliada queriam mais tempo para fazer consultas internas.

Nos bastidores, no entanto, o impasse ocorreu porque a bancada do PMDB na Câmara exige dois ministérios e não aceita colocar em sua cota nomes ligados ao vice-presidente Michel Temer, como Eliseu Padilha (hoje na Aviação Civil) e Henrique Eduardo Alves (atualmente no Turismo).

No início da semana, Dilma ofereceu aos deputados peemedebistas o Ministério da Saúde e o Ministério da Infraestrutura, que nasceria da fusão das secretarias da Aviação Civil e dos Portos.

A última proposta da presidente, porém, consistia em não criar a nova pasta para deixar Padilha na Aviação Civil e acomodar o atual ministro da Pesca, Helder Barbalho, filho do senador Jader Barbalho (PMDB-PA), nos Portos.

Bravata. O novo arranjo desagradou ao líder do PMDB na Câmara, Leonardo Picciani (RJ). Ontem, ele ameaçou desfazer o acordo com o governo e retirar as indicações feitas se a bancada não conquistasse duas vagas na Esplanada. "Se modificar, vou tirar todas as indicações e reunir a bancada novamente", disse Picciani ao Estado.

Dilma pediu que o prefeito do Rio, Eduardo Paes (PMDB), conversasse com o líder do PMDB na Câmara e o convencesse a aceitar as mudanças na composição do novo ministério. Paes se comprometeu a ajudar, mas avisou que essa não seria uma tarefa fácil.

Garantir o apoio da bancada do PMDB na Câmara é essencial para que Dilma consiga barrar eventuais pedidos de impeachment e aprovar o ajuste fiscal, já que o presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), está rompido com o governo. Ontem, ele afirmou que esperava que não houvesse acordo, para que o PMDB desembarcasse logo do governo.

Ao todo, o PMDB deve ficar com seis ministérios. Além da Saúde, do Turismo, da Aviação Civil e dos Portos, a presidente também deverá manter Eduardo Braga no Ministério de Minas e Energia e Kátia Abreu na Agricultura.