Fernando Baiano, apontado como operador do PMDB no esquema da 'Lava Jato', e o ex-diretor da Petrobras Renato Duque estão negociando com o Ministério Público Federal um acordo de delação premiada. Os dois já tiveram duas conversas com os procuradores da força-tarefa da operação que investiga o esquema de corrupção na Petrobras. O ex-diretor da petroleira Nestor Cerveró também já teve uma reunião com os procuradores. Até o momento, contudo, nenhum dos três teria repassado para os investigadores informações consideradas relevantes para iniciar um processo de delação.

Baiano, Duque e Cerveró estão presos em Curitiba há meses e até agora não haviam demonstrado intenção de colaborar com a Justiça. A mudança de posição ocorre no momento em que a operação já conta com ao menos 23 delatores, que têm sido beneficiados com redução de pena e liberdade provisória. Se fecharem o acordo, o número de delatores sobe para 26.

A expectativa dos investigadores é que os três possam abrir novas frentes de investigação na Operação 'Lava Jato'. Baiano e Cerveró foram denunciados em fevereiro por formação de quadrilha e lavagem de dinheiro. Cerveró já foi condenado em um dos processos a cinco anos de prisão, por lavagem de dinheiro.

Duque também foi denunciado por lavagem de dinheiro e corrupção passiva. Segundo a força-tarefa, os dois ex-diretores atuavam para favorecer o PT (Duque) e o PMDB (Cerveró) no esquema de corrupção. Um porcentual dos contratos fechados nas diretorias que eles comandavam era repassado para os dois partidos. Baiano era quem arrecadava os valores para o PMDB, apontam os investigadores.