A Comissão de Relações Exteriores da Câmara desistiu por ora de convidar o embaixador do Brasil na Venezuela, Ruy Pereira, a prestar esclarecimentos aos parlamentares sobre o incidente envolvendo a comitiva de senadores brasileiros na semana passada, em Caracas. O requerimento foi discutido, mas retirado de pauta.

Na quinta-feira passada, oito parlamentares liderados pelo senador Aécio Neves (PSDB-MG) e pelo senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP), presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, retornaram ao Brasil após cinco horas de espera e duas tentativas frustradas de sair do aeroporto metropolitano em direção ao centro da capital venezuelana. O veículo em que se encontravam foi cercado por manifestantes pró-governo Nicolás Maduro. Os senadores acusam a diplomacia brasileira de não ter dado o suporte necessário para garantir a segurança da comitiva.

Em razão disso, um outro grupo de senadores foi formado para visitar a Venezuela. O desembarque deles, na madrugada desta quinta-feira, 25, ocorre um dia após o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) da Venezuela marcar a data das eleições parlamentares para 6 de dezembro.

A definição do calendário era uma das principais reivindicações dos opositores locais. O tom que deve ser a tônica dos próximos meses foi dado pelo presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, deputado Diosdado Cabello (PSUV), em discurso realizado ontem em comemoração à Batalha de Carabobo. "A oposição diz ter a data, 6 de dezembro, mas nós temos os votos", disse Cabello, que deve receber o grupo de parlamentares brasileiros hoje à tarde.

Na agenda dos senadores também estavam previstas visitas às Vítimas da Guarimba, às mulheres de políticos opositores presos e a representantes da Mesa da Unidade Democrática, composta pelos partido de oposição. Os parlamentares iriam também ao Ministério Público. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.