O projeto do Viaduto dos Guararapes, que desabou na avenida Pedro I em julho de 2014, havia sido revisado antes mesmo da sua construção. Um documento apresentado nesta sexta-feira (12) pela Prefeitura de Belo Horizonte (PBH), mostra que o pilar que cedeu teve a quantidade de aço aumentada em mais de 700 quilos em revisão feita pela empresa responsável pelos projetos, a Consol.

Por causa desse motivo, o ex-secretário de Obras e Infraestrutura da capital e superintendente interino da Sudecap, José Lauro Nogueira Terror, atribuiu à empresa as falhas na estrutura. “O bloco em questão, sofreu na revisão da Consol uma variação de 2.011 kg de aço para 2.758 kg de aço. Esse documento formal mostra que, de fato, a empresa contratada pela Sudecap trabalhou na reconcepção e no recálculo da estrutura”, alegou Terror.

O ex-secretário, que hoje atua como presidente da Empresa de Informática e Informação do Município de Belo Horizonte (Prodabel), ainda refutou a ideia de que a obra foi feita às pressas por causa da Copa do Mundo. “Não havia a menor expectativa da administração, de que a gente entregasse o viaduto de forma que ele pudesse funcionar antes da Copa do Mundo”, afirmou.

Para tentar mostrar a ausência de omissão por parte da PBH com relação à queda do viaduto, que matou duas pessoas e deixou mais de 20 feridos, Terror apresentou uma linha do tempo de toda a obra. Em coletiva, ele explicou todo o andamento dos processos práticos e burocráticos. O ex-secretário é um dos 19 indiciados pela Polícia Civil por causa da queda do Viaduto dos Guararapes.

Defesa

Outro indiciado, o diretor-presidente da Consol, Maurício de Lana, se defendeu das acusações. Ele explicou que as revisões foram feitas antes da construção do pilar, o que é um procedimento normal já que o primeiro projeto tinha sido baseado em um relevo com imóveis que, posteriormente, foram demolidos. Lana alega que "existiram mudanças significativas no projeto e problemas executivos graves quando a Consol não estava mais na obra".

Em nota, ele reafirmou que o projeto elaborado pela Consol não foi causa do acidente e que “nos comunicados da fiscalização da Sudecap para a Consol, não há nenhum registro objetivo de erros graves, com apontamento de quais são esses erros, que pudessem causar problemas com as obras”.

Depoimento

A ex-diretora de projetos da Sudecap, Maria Cristina Novais Araújo, foi ouvida novamente pelo Ministério Público nesta sexta-feira (12) para prestar explicaçoes sobre a queda do viaduto. Ela entregou ao MP documentos que confirmariam que estavam sendo feitas revisões no projeto no início do ano passado, com a obra já em andamento.

Maria Cristina ainda levou registros internos da Sudecap que mostrariam que a Sudecap estava ciente de tal situação. O promotor que está com o caso na área cível, Eduardo Nepomuceno, acretida em responsabilidade compartilhada. "A responsabilidade civil das empresas está muito clara. Precisamos definir agora com relação à improbidade administrativa dos servidores da prefeitura", explicou.