O líder do DEM no Senado, Ronaldo Caiado (GO), apresentou nesta terça-feira (7), o terceiro pedido de abertura de CPI do dia, desta vez para investigar operações do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Bandeira da oposição desde o fim do ano passado, a comissão tem por objetivo apurar irregularidades nos empréstimos concedidos pelo BNDES tanto a entidades privadas, assim como a governos estrangeiros a partir de 2007.

O requerimento de criação da CPI foi apresentado com o apoio de 28 senadores, apenas um a mais do que o mínimo necessário para sua instalação. A CPI, contudo, só será instalada depois de o requerimento ser lido em plenário com a indicação dos líderes partidários dos integrantes da comissão.

Caiado pedirá para fazer a leitura em plenário ainda hoje a fim de garantir a instalação efetiva da comissão. Mais cedo, foram apresentados outros dois pedidos de CPI, uma para apurar irregularidades em fundos de pensão e a segunda para investigar julgamentos supostamente fraudulentos no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), órgão colegiado do Ministério da Fazenda responsável por apreciar autuações fiscais que se tornou alvo da Operação Zelotes.

O líder do DEM disse que a criação da comissão se justifica por uma série de razões: 1) um dos delatores da operação "Lava Jato" afirmaram que o escândalo da Petrobras é "café pequeno" perto das suspeitas que, segundo ele, pairam sobre o banco de fomento; 2) o volume de dinheiro emprestado com o carimbo secreto para países da América Latina, Caribe e África alinhados ideologicamente ao governo brasileiro; e 3) as empresas privadas que receberam empréstimos em condições privilegiadas em relação a outras ao mesmo tempo em que repassaram recursos em doações eleitorais. "É importante que possamos desvendar todos esses pontos que, para a população brasileira, são uma grande interrogação", disse.

Caiado afirmou que a dificuldade para instalar a CPI do BNDES decorre de pressão do governo para impedir a abertura da comissão. Ele lembrou que o presidente do banco, Luciano Coutinho, já esteve no Senado para tentar demover senadores de apoiar a comissão.