O senador Fernando Bezerra (PSB-PE) recorreu à tribuna nesta segunda-feira (16) para se defender do fato de ter sido incluído na lista de parlamentares que deverão ser alvo de investigação por suspeita de desvios na Petrobras. Bezerra ressaltou que não "teme as investigações" e criticou a condução dos processos realizada pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot.

"Devo confessar que os fatos acontecidos nos últimos dias me deixaram absolutamente perplexo. Sem nenhuma justificativa ou argumento minimamente plausível, tive meu nome incluído entre os agentes públicos que estão sendo investigados na Operação "Lava Jato". Deixo claro aqui que não temo as investigações", disse o senador.

Bezerra é citado nos depoimentos dos delatores da Operação "Lava Jato", o doleiro Alberto Youssef e o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa. Em depoimento prestado à Polícia Federal, Costa disse ter sido procurado por Bezerra em 2010 para o recebimento de propina no valor de R$ 20 milhões, que seria destinado à campanha de Eduardo Campos à reeleição do governo de Pernambuco. À época, Bezerra era secretário de Desenvolvimento de Pernambuco e dirigente do Porto de Suape, complexo industrial onde está instalada a Refinaria Abreu e Lima. Campos morreu em acidente aéreo em agosto do ano passado em meio à campanha pela presidência da República.

"Com o Sr. Paulo Roberto Costa tive diversas reuniões e agendas, sempre para tratar de temas institucionais. Eu, na condição de Secretário Estadual de Desenvolvimento Econômico e Presidente do Porto de Suape no governo Eduardo Campos, e ele, como executivo da Petrobras. Como todos sabem, está sendo concluída uma grande refinaria em Pernambuco. Nenhum dos contratos para qualquer tipo de serviço na refinaria passou pelas minhas mãos. Todos, absolutamente todos, foram realizados exclusivamente pela Petrobras, sem qualquer gerência estadual", rebater Fernando Bezerra.

Na sequência, o senador alega que não há nada de concreto contra ele que pudesse ter o nome na lista de investigados. "Qualquer cidadão que leia e coteje os depoimentos verá o quanto os fatos narrados, pessoas, empresas e datas são contraditórios entre si no que me dizem respeito. São duas histórias diferentes.

Nada há de concreto que pudesse ensejar um pedido de abertura de inquérito. Dito isso, afirmo e reafirmo que não são verídicas as declarações do Sr. Paulo Roberto Costa contra a minha pessoa. Afirmo e reafirmo o que digo há bastante tempo: jamais tive qualquer tipo de contato com o Sr. Alberto Youssef", ressaltou.

Com o pedido realizado na última quinta-feira (12) pela procuradoria Geral da República passou para 50 o número de investigados no STF por suposto envolvimento no esquema de corrupção da Petrobras, considerando o ex-ministro Antonio Palocci, que teve o processo enviado à Justiça do Paraná com recomendação de abertura de inquérito naquele foro, o total chega a 51.