Em mais uma sessão tumultuada, marcada pela insatisfação de vereadores evangélicos com o Executivo e troca de acusações entre parlamentares da oposição e da base governista, a Câmara Municipal de Belo Horizonte (CMBH) aprovou, por unanimidade, o projeto de alteração da verba indenizatória de R$ 15 mil recebida pelos parlamentares.

A votação em segundo turno está prevista para março. Se o projeto for novamente aprovado, a restituição da verba será substituída por um processo licitatório, que vai abranger as despesas de todos os 41 gabinetes da Câmara.

O projeto ganhou espaço no Legislativo depois do acordo fechado entre a bancada da oposição na Câmara e a secretária de Governo da Prefeitura de Belo Horizonte (PBH), Luzia Ferreira, que retirou temporariamente de pauta os projetos envolvendo a doação de terreno no bairro Jardim Canadá, em Nova Lima, e a criação de estacionamentos subterrâneos na capital.

O presidente da Câmara, vereador Wellington Magalhães (PTN), comemorou a aprovação do projeto destacando o ineditismo da medida entre as câmaras brasileiras. Ele demonstrou estar confiante na aprovação por unanimidade também no segundo turno.


“Fomos a primeira Câmara a aprovar a extinção dessa verba e isso é um exemplo para o resto do país. Não acredito que haverá problemas com aprovação do segundo turno porque todos os vereadores estão muito engajados nessa causa e a política precisa dessa renovação”, disse Magalhães. 

 

Por mais verba, evangélicos ameaçam boicotar o Executivo

A primeira desavença da reunião plenária que aconteceu entre membros da própria base do governo na Câmara Municipal. Irritado, o vereador Henrique Braga (PSDB) questionou o fato de a Prefeitura de Belo Horizonte diminuir o apoio financeiro dado ao Grande Sermão da Montanha, organizado por ele há 26 anos.

Braga argumentou que o patrocínio de R$ 15 mil oferecido pela prefeitura para o evento é a metade da ajuda concedida em anos anteriores e que seria injustificável frente aos R$ 5 milhões destinados ao Carnaval.

“Há blocos caricatos que vão reunir 200 pessoas e estão recebendo R$ 30 mil da prefeitura. Por que um evento religioso receberia uma ajuda menor? Isso é discriminação. Me senti ofendido com a oferta e não votarei nenhum projeto do executivo que envolva dinheiro como aprovação de empréstimos ou reajuste de impostos”, afirmou Braga.