O novo ministro do Desenvolvimento Agrário, Patrus Ananias, cometeu um erro em seu discurso de posse a chamar Jorge Hereda de "ex-presidente" da Caixa Econômica Federal. O arquiteto baiano presidente o banco estatal desde 2011, após indicação do atual ministro da Defesa, Jaques Wagner (PT).

Hereda deve ser substituído no segundo governo Dilma Rousseff pela ex-ministra do Planejamento, Miriam Belchior. Após a gafe, Patrus brincou afirmando que o erro não pesaria contra ele "no juízo final".

Patrus cometeu uma sucessão de tropeços na sua primeira fala oficial como ministro. Entre ela, chamou o senador e vice-presidente do PMDB Valdir Raupp de deputado, no que se desculpou novamente. "O que vai pesar no juízo final não vão ser as questões do cerimonial", disse.

Pronaf

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Miguel Rossetto, afirmou na manhã de hoje que o Programa Nacional de Desenvolvimento da Agricultura Familiar (Pronaf) tem atualmente um volume de recursos aplicados da ordem de R$ 56 bilhões, investidos em 3,6 milhões de contratos. Ex-ministro do Desenvolvimento Agrário, Rossetto transmitiu hoje o cargo a seu colega de partido, Patrus Ananias.

Em seu pronunciamento na cerimônia, Rossetto exaltou políticas dos governos do PT adotadas para a agricultura familiar. "O Brasil mudou muito desde 2003. Mudou e mudou para melhor, na capacidade de geração de emprego e de renda, na construção de uma economia inclusiva e afirmação de direitos. É uma construção de transformações extraordinárias", disse.

Rossetto alegou ainda que o Pronaf aplicou em 2014 R$ 22,3 bilhões na agricultura familiar, valor bastante superior aos R$ 2,3 bilhões registrados no primeiro ano do governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (2003).

Ele também argumentou que as administrações de Lula e da presidente Dilma Rousseff avançaram na reforma agrária, mesmo com a petista sendo criticada por movimentos sociais do campo por ter feito pouco no tema. "Nos últimos 12 anos, são 796 mil famílias de brasileiros e brasileiras que tiveram acesso à terra, seja pelo crédito fundiário ou pela reforma agrária", afirmou Rossetto. Isso corresponde, disse, a 3 milhões de pessoas. Segundo ele, no primeiro mandato de Dilma foram assentadas 121 mil famílias em 3 milhões de hectares.

Por último, ele destacou o programa de regulamentação de terras Amazônia Legal para a reforma agrária e lamentou que ainda existam crimes no interior por conta de questões fundiárias. "É inaceitável que ainda existam brasileiros e brasileiras assassinados por conta de conflito fundiário no País", concluiu.