A Polícia Federal informou, em nota que indiciou 46 pessoas na Operação Lava Jato, acusadas de envolvimento em esquema de lavagem de dinheiro operado por casas de câmbio que atuavam clandestinamente em Brasília, Paraná e São Paulo. O ex-diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa, está entre os indiciados.

A PF não divulgou os crimes imputados a ele. As investigações mostram que fornecedores da petroleira pagavam comissão a Paulo Roberto em troca de conseguirem contratos na estatal, mas não há menção a esse fato na nota da PF sobre os indiciamentos.

Os denunciados foram acusados de crimes contra o sistema financeiro nacional (operar instituições de câmbio sem autorização, falsa identidade em contrato de câmbio e evasão de divisas), falsidade ideológica e lavagem de dinheiro. Dois doleiros também foram indiciados por financiamento ao tráfico de drogas diante de indícios da ligação deles com traficantes.

A Operação Lava Jato originou quatro inquéritos, todos relatados por determinação judicial. "Cada inquérito policial investigou a atuação de uma dessas quatro organizações criminosas, que eram lideradas por doleiros. Esses grupos, embora fossem independentes entre si, possuíam negócios em comum relacionados à lavagem de dinheiro", informou a PF na nota.

A Justiça Federal autorizou o sequestro de três hotéis e seis residências de alto padrão. Foram apreendidos 25 veículos com valores de mercado superior a R$ 100 mil cada. Aproximadamente R$ 6 milhões foram apreendidos em espécie, além de centenas de joias e várias obras de arte que serão destinadas esta semana ao Museu Oscar Niemeyer para custódia.

Atualmente, 15 pessoas permanecem presas, sendo 14 em Curitiba/PR e uma em São Paulo/SP, entre elas o ex-diretor da Petrobras e o doleiro Alberto Youssef, ambos acusados de manterem relações com políticos. Há duas pessoas foragidas.

O jornal O Estado' apurou que a relatoria dos inquéritos ocorre quando a maior parte do material apreendido ainda está sob análise. A PF informou que poderá, contudo, apresentar complementos aos relatórios finais a partir do estudo do material aprendido ainda não analisado, o que pode acarretar investigações autônomas dos seguintes crimes: fraude em licitação, desvio de recursos públicos, corrupção ativa e passiva, evasão de divisas, lavagem de dinheiro e sonegação fiscal.

Ao todo, foram cumpridos 105 mandados de busca e apreensão, 19 de prisão preventiva, 12 de prisão temporária e 27 conduções coercitivas.