RECIFE - Na tentativa de se manter na disputa pela candidatura governista à sucessão de Eduardo Campos (PSB) em Pernambuco, o ex-ministro da Integração Fernando Bezerra (PSB) defendeu nesta terça-feira (28) que seu partido fique apenas com a cabeça da chapa e ceda as vagas de vice-governador e senador para partidos aliados no Estado, como o PMDB e o PSDB.
 
Nos bastidores, o comentário é que Campos tem preferência por técnicos, como os seus secretários Tadeu Alencar (Casa Civil) e Paulo Câmara (Fazenda), o que excluiria políticos como Bezerra e o vice-governador, João Lyra Neto (PSB). 
 
Com as declarações à rádio "JC News", do Recife, Bezerra sugeriu que ainda tem esperança de ser escolhido sucessor em vez de ficar com a vaga de candidato ao Senado, como chegou a se cogitar no PSB. 
 
"As pessoas acreditam que Pernambuco está no rumo certo. Mas isso não quer dizer que esse rumo não possa ser tocado por um político", disse o ex-ministro. 
 
Bezerra chegou a usar como exemplo o próprio governador para defender a tese de que o nome deve ser político. "Quem lidera essa gestão vitoriosa [em Pernambuco] é um político chamado Eduardo Campos." 
 
O ex-ministro já foi preterido outras vezes como candidato por Eduardo Campos. Em 2010, queria ser senador, mas as duas vagas foram ocupadas por PT e PTB. Em 2012, para pressionar o PT a escolher um candidato, o governador fez Bezerra transferir seu título eleitoral de Petrolina para o Recife, mas acabou escalando Geraldo Julio, atual prefeito, para a disputa. 
 
Defensor da manutenção da aliança com Dilma Rousseff até o ano passado, Bezerra disse que a eleição em Pernambuco não será fácil para o PSB por causa da popularidade do ex-presidente Lula no Estado e porque Campos não terá condições de fazer a campanha do sucessor porque terá que promover o próprio nome nacionalmente. 
 
"A candidatura do PSB parte como favorita, mas ninguém pode subestimar nem a candidatura adversária nem o palanque da presidente Dilma, o prestígio do ex-presidente Lula aqui no nosso Estado", afirmou. 
 
O sucessor de Campos terá de enfrentar o senador Armando Monteiro Neto (PTB), que deverá disputar o governo com apoio do PT. 
 
Para o ex-ministro, que desde o ano passado vem rodando o Estado para fortalecer sua pré-candidatura, é "natural" que a vaga de candidato ao Senado fique com o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB), ex-rival e aliado recente de Campos. 
 
"O palanque tem que ser o mais amplo, o mais plural possível", disse. "Tem coisas [em] que a lógica do processo político prevalece. Tenho impressão que o natural na política é que o PMDB seja representado por Jarbas", afirmou.
 
Sobre as possibilidades citadas por Bezerra, o presidente do PSB de Pernambuco, Sileno Guedes, seguiu a mesma linha de discurso de Eduardo Campos e afirmou que a situação nos Estados será discutida somente a partir de fevereiro.