TEERÃ - As forças armadas do Irã exibiram neste domingo (22) 30 mísseis balísticos tipo Sejil e Ghadr de um alcance anunciado de 2.000 quilômetros durante seu desfile militar anual.

Doze mísseis Sejil e 18 Ghadr, que utilizam combustível sólido, foram exibidos neste desfile realizado ao sul de Teerã, a capital. É a primeira vez que o Irã mostra uma quantidade tão grande de mísseis teoricamente capazes de alcançar Israel, mas também as bases americanas da região.

"Nos últimos 200 anos, o Irã nunca agrediu outro país. Hoje as forças armadas da República Islâmica e o regime jamais iniciarão uma agressão na região, mas resistirão com determinação e de forma vitoriosa aos agressores", declarou o presidente, Hassan Rohani, em um discurso durante o desfile.

O míssil terra-terra Sejil foi testado pela primeira vez em novembro de 2008. Tem dois andares e dois motores que funcionam com combustível sólido.

O também míssil terra-terra Ghadr tem um alcance de 2.000 quilômetros, dois andares e também funciona com combustível sólido, que permite deslocar e lançar os mísseis rapidamente.

Irã tomará o controle da central nuclear de Busher na segunda-feira

O Irã tomará amanhã (23) o controle da central nuclear civil de Busher, construída pelos russos no sul do país, declarou neste domingo Ali Akbar Salehi, chefe da Organização Iraniana de Energia Atômica (OIEA).

"Amanhã, a central nuclear de Busher de 1.000 megawatts será entregue ao Irã, mas durante dois anos ainda estará sob garantia da parte russa e alguns especialistas russos permanecerão no local para dar conselhos e ajuda técnica", declarou Salehi, citado pela agência oficial Irna.

A central de Busher, sob controle da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), foi construída pela Rússia e iniciou sua produção em 2011. Busher chegou a sua capacidade máxima em 2013.

O jornal russo Kommersan havia afirmado no dia 11 de setembro que Moscou está disposto a assinar um acordo para construir um segundo reator na central de Busher.

O Irã diz querer produzir no futuro 20.000 megawatts de eletricidade nuclear, o que requer a construção de 20 centrais de 1.000 megawatts.

Por sua vez, o presidente iraniano, Hassan Rohani, pediu neste domingo que o Ocidente reconheça o direito do Irã de enriquecer urânio em seu território, uma questão que preocupa os países ocidentais e Israel, que temem que a República Islâmica tente produzir uma bomba atômica.

O Ocidente tem que aceitar "todos os direitos da nação iraniana, especialmente os direitos nucleares e o de enriquecer urânio em território iraniano no âmbito das regras internacionais", afirmou Rohani em um discurso pronunciado durante o desfile anual militar das forças armadas.

"O povo iraniano quer se desenvolver e não busca fabricar a arma atômica", disse o presidente.