NOVA YORK - A presidente argentina, Cristina Kirchner, apresentou ao Conselho de Segurança da ONU nesta terça-feira (6) a reivindicação de seu país pela soberania das Ilhas Malvinas, alvo de disputa com o Reino Unido.

"Não se trata de um capricho. Simplesmente dizemos que queremos que a resolução das Nações Unidas seja cumprida e que ambos os países sentem à mesa para discutir a questão", disse Kirchner em discurso feito durante debate sobre cooperação entre organismos regionais organizado pela presidência temporária de seu país no órgão máximo das Nações Unidas.

"Não quero gerar uma polêmica", enfatizou, no entanto, a presidente da Argentina, considerando que talvez o encontro não fosse propício para tratar o tema.

O discurso de Kirchner foi acompanhado pelo embaixador do Reino Unido na ONU, Lyall Grant, cujo país é membro permanente com direito a veto no Conselho de Segurança.

A presidente argentina falou sobre a questão das Malvinas ao referir-se aos problemas de funcionamento das Nações Unidas e à necessidade de mudanças para torná-la mais eficaz.

Kirchner lembrou que existe uma situação de "conflito" entre a Argentina e o Reino Unido pelo não respeito à resolução 2065 da ONU, de 1965, que fala sobre a soberania do arquipélago do Atlântico Sul e que pede que as duas partes negociem.

"É possível discordar de algo que não está resolvido pela ONU, mas quando este organismo que reúne todos nós, do qual todos somos signatários, que todos nos comprometemos a respeitar suas resoluções, produz em sua Assembleia Geral, órgão máximo deste organismo, uma resolução, não estamos diante de opiniões discordantes", afirmou.

"Estamos diante de uma resolução da ONU que devemos estar dispostos a cumprir enquanto membros ou não", acrescentou.

Na segunda-feira, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, informou a Kirchner, durante uma reunião bilateral, a rejeição do Reino Unido em discutir a soberania das Malvinas, sob controle britânico desde 1833 e cenário de uma guerra travada em 1982, que terminou com a derrota argentina.

Em 2012, Kirchner apresentou essa reivindicação perante o Comitê de Descolonização das Nações Unidas, onde a questão está sendo tratada atualmente, pedindo que Londres voltasse a negociar.