WASHINGTON - Apesar de apresentarem grande relevância no mercado americano, organizações de notícias sem fins lucrativos enfrentam dificuldades financeiras parecidas com as dos suas concorrentes comerciais, informou um estudo divulgado nesta segunda-feira (10).

O estudo para a excelência do jornalismo, do Centro de Pesquisas Pew, identifica 172 "instituições de notícias sem fins lucrativos em atividade", lançadas entre 1987 e 2012 por fundações de caridade, indivíduos ou grupos ideológicos.

A pesquisa, que analisa o caso de 93 dessas entidades, destaca que mais da metade delas tem que enfrentar importantes obstáculos para conseguir fundos que assegurem sua sobrevivência.

O estudo foi divulgado no momento em que a indústria da informação tem migrado para plataformas digitais, em razão da falência de vários informativos impressos.

Amy Mitchell, uma dos responsáveis pela pesquisa e diretora interina do projeto, disse que as associações sem fins lucrativos "são uma fonte potencialmente importante e crescente de notícias, mas que, assim como o jornalismo comercial, enfrentam desafios financeiros".

"Uma descoberta clara" da pesquisa é que muitos desses meios de comunicação sem fins lucrativos "não se sentem suficientemente equipados para gerir as necessidades do negócio a longo prazo".

Alguns desses meios de comunicação começaram graças a subsídios iniciais, "mas depois que acabam as subvenções, muitas instituições precisam de conhecimentos e recursos para enfrentar os desafios do negócio e ampliar sua base de financiamento", afirmou Mark Jurkowitz, coautor do estudo.

A pesquisa entrou em contato com veículos de comunicação sem fins lucrativos em nove estados americanos, sendo que 21% deles concentram-se na investigação jornalística e outros 17%, no governo. Saúde pública, relações exteriores, meio ambiente, e arte e cultura são as outras áreas envolvidas.

Apesar das preocupações, os administradores desses meios noticiosos expressam otimismo em relação ao futuro.

Dos consultados, 81% consideram "muito provável" ou "de certa forma provável" que consigam estar financeiramente sólidos em cinco anos, enquanto quatro em cada dez preveem que precisarão contratar mais funcionários nos próximos meses.