DACCA - Centenas de fábricas do setor têxtil em Bangladesh fecharão por um período indeterminado devido à agitação dos trabalhadores provocada pelo desabamento de um edifício que abrigava ateliês de confecção, anunciou nesta segunda-feira (o principal organismo do setor.

"Todas as fábricas da zona industrial de Ashulia fecharão por um período indeterminado a partir de terça-feira devido à agitação da mão-de-obra", declarou à AFP Shahidullah Azim, vice-presidente da Associação de Fabricantes e Exportadores Têxteis.

"Tomamos esta decisão para garantir a segurança de nossas fábricas", acrescentou.

Nesta zona industrial, situada a 30 quilômetros de Dacca, a capital, encontram-se algumas das fábricas mais importantes do país, que conta com 4,5 mil no total.

Não houve "praticamente nenhum trabalho" nestas fábricas nas últimas duas semanas, após o início das manifestações dos trabalhadores contra as condições de trabalho e segurança, explicou Azim.

Segundo o chefe da polícia de Ashulia, Badrul Alam, a zona industrial abriga 500 fábricas, entre elas uma centena de empresas-chave que confeccionavam roupas para marcas ocidentais como a americana Walmart, a sueca H&M, a espanhola Inditex ou a francesa Carrefour.

"Em 80% das fábricas os trabalhadores iniciaram greve nesta segunda-feira (13) para pedir aumento de salário", indicou Alam à AFP, ressaltando que também exigiam a execução do proprietário do edifício que desabou no dia 24 de abril deixando 1.127 mortos.

O colapso do Rana Plaza em Savar, nos arredores de Dacca, é a pior tragédia industrial do país. O edifício abrigava cinco ateliês de confecção e empregava mais de 3.500 trabalhadores que, em alguns casos, recebiam menos de 40 dólares por mês.

Bangladesh é o segundo exportador do mundo de roupas devido aos baixos salários e à abundante mão-de-obra. Este setor chave da economia, que gera 29 bilhões de dólares por ano, representou em 2012 80% das exportações do país.