O avanço de meios digitais de pagamento, incrementado pela adoção do Pix, em novembro de 2020, fez o cheque praticamente sumir da praça. De 3,3 bilhões de folhas compensadas em 1995, o número despencou para 218,9 milhões no ano passado, segundo dados da Febraban (Federação Brasileira de Bancos). A queda brutal atesta a perda de terreno dos cheques, mas revela também que o instrumento ainda não foi sepultado em definitivo, tendo adeptos que não abrem mão do talão, seja para pagar ou para receber.

É o caso do fotógrafo Jean Assis. Em seu estúdio na Pampulha, em Belo Horizonte, o cheque não encontra barreiras. “Com o aumento do uso de cartões de crédito, os bancos se aproveitam e querem virar uma espécie de sócio dos negócios. O cheque é uma forma de fugir disso”, afirma ele. Se o cliente não tem cheque, tudo bem, diz Jean: ele também aceita Pix, dinheiro ou depósito bancário como pagamentos. Até porque, conforme ele detalha, a média de serviços pagos com cheques é pequena, em média três por mês. “São pessoas com histórico de viajar muito porque, em outros países, ainda existe a cultura e tradição do cheque. Sabem que é um documento e fogem desse interesse que a tecnologia tem em rastrear e vigiar todo tipo de transações financeiras, como o pix”, defende.

Cheque

O jornalista e empresário Eujácio Antônio também não abre mão do talão. O principal motivo apontado é ampliar a forma de movimentar dinheiro, mas também é citado o aumento de golpes financeiros utilizando canais digitais. “Essa modernidade apareceu de alguns anos para cá, com isso, a gente observa a quantidade de golpes de Pix que já surgiram neste primeiro ano. Eu mesmo já tive problemas de roubo de dados. Portanto, as novas formas agregam, mas o cheque segue sendo uma maneira segura”, acredita.

Para o coordenador do curso de administração do Ibmec BH, Eduardo Coutinho, embora o cheque seja seguro, não existem formas de conferir a transação de maneira imediata, como o Pix e outras transferências. “Há pouco controle, no momento da transação, de checar se ele foi extraviado ou a autenticidade dos dados. Isso só acontece na hora do depósito ou do saque. Acredito que a tendência é a modalidade morrer. É difícil acreditar que as novas gerações vejam o cheque com bons olhos”, diz.

A Febraban também vê como natural o declínio do cheque, sobretudo após o advento do Pix. “As estatísticas revelam que o cliente bancário tem deixado cada vez mais de usar cheques e optado por outros meios de pagamento, em especial os canais na internet e mobile banking, que atualmente são responsáveis por 67% de todas as transações feitas no país”, afirma Walter Faria, diretor adjunto de Serviços da Febraban.

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