Com uma peça de alcatra custando até R$ 65 em Belo Horizonte, segundo pesquisa do site especializado Mercado Mineiro, é esperado que a carne de boi suma do prato de muitos brasileiros, mas o que está ocorrendo, segundo donos de açougues da capital, é a falta de gado para reposição nos açougues. Gilson Lopes, proprietário do supermercado 2B, no Prado, região Oeste de Belo Horizonte, relata que, mesmo com os preços altos, há dificuldade para encontrar cortes bovinos. “Mesmo com a demanda caindo, temos dificuldade na compra. Se antes a gente cotava em dois lugares, agora preciso cotar em 6 fornecedores para encontrar”, afirma. Ele garante que há dificuldade mesmo comprando menos, já que estima queda de até 30% na saída de carne bovina no supermercado. “Com um poder de compra muito comprometido, os consumidores migraram para frango, peixes e ovos”, diz.

Quem também relata dificuldades para a compra de diversos cortes de carnes é a empresária Claudia Lau, dona da Companhia da Carne, no Salgado Filho, Oeste da capital. “Desde o início da pandemia, o mercado não consegue manter a regularidade. Não tem como comprar um quantitativo alto. Se eu pedir 4 toneladas de um corte, eles entregam uma e o resto eles precisam se programar para atender”, afirma. Segundo a empresária, os preços seguem altos, e a solução é diminuir a margem de lucro de acordo com cada corte. “Em dezembro o filé mignon de boi estava com preço de custo em R$ 90; é impraticável vender acima de R$100, não dá nem 10% de margem bruta, ainda falta despesas de mão obra, embalagem, limpeza e outras”, afirma.

Apesar das queixas dos açougues, a Faemg (Federação da Agricultura de Minas Gerais) afirma que a oferta de gado de corte está regulada. “O mercado físico caminha sem grandes novidades, com escoamento lento da carne bovina no mercado interno. Os frigoríficos não estão ávidos e céleres na compra a campo, e aqueles que trabalham no mercado atacadista da carne bovina apresentam equilíbrio na demanda”, afirma Wallisson Lara, analista de Agronegócios do Sistema Faemg,

Segundo o analista, há, inclusive, a previsão de aumento de oferta nos próximos anos, e tudo indica que não vai faltar comprador. “A gente espera que em 2022 e 2023 haja um aumento na oferta de bezerro. Se o mercado doméstico não consumir essa oferta, com tendência de aumento de oferta, a exportação vai muito bem”, diz.

Enquanto o produto continua desafiando o bolso, o consumidor se adequa mudando o cardápio. “A gente costumava comer bife bovino uma vez por semana, hoje em dia passa mais tempo. Dou preferência para frango e carne de porco, que também é do meu gosto. Quando compro bovina, tem que ser carne moída de segunda”, diz o projetista Glauber Rosa.

Minas deve fechar janeiro com recorde na exportação de carne

A exportação de carne bovina de Minas Gerais deve alcançar neste mês de janeiro os melhores resultados para o período, com projeção de recorde no volume embarcado. Até o momento, já foram vendidas para o mercado externo 72 mil toneladas de proteína bovina, volume 19% superior ao registrado no mesmo período do ano passado. Caso a média de exportações mantenha o ritmo atual, a estimativa é que o mês feche com cerca de 140 mil toneladas vendidas para outros países. Os dados são da Faemg (Federação da Agricultura de Minas Gerais).

Do total vendido para fora, a China responde por quase metade. Ano passado, o país asiático consumiu 43% de toda a proteína animal exportada pelos produtores mineiros. O segundo melhor mercado, os Estados Unidos, compraram 10% e, em terceiro, vem Hong Kong com 9%. O volume de transações bateu os R$ 8.8 bilhões, e só não foi maior porque entre os meses de setembro e dezembro a carne brasileira sofreu 103 dias de embargo internacional por conta de um caso do mal da vaca louca detectado em Minas Gerais.

Para este ano, a expectativa é de resultados ainda melhores no que diz respeito aos números da carne exportada. “A expectativa é que as exportações sigam aquecidas uma vez que a China, nosso principal comprador, ainda não recompôs seu rebanho suíno e continuará buscando fontes de proteína em outros países”, explica Wallisson Lara, analista de Agronegócios do Sistema Faemg.

Já em relação ao mercado interno, nada sinaliza, pelo menos por enquanto, uma redução nos preços praticados nos açougues. Conforme Lara, a tendência é de estabilidade nos preços atuais, uma vez que o mercado está regulado na relação entre oferta e demanda interna.

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