Neste fim de ano, os belo-horizontinos devem usar o pagamento do 13º salário, também conhecido como gratificação natalina, para desafogar dívidas acumuladas ao longo de um ano crítico para a economia. Estudo realizado pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) aponta que a bonificação garantida pela CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) aos trabalhadores, funcionários públicos, aposentados e pensionistas deve injetar na economia brasileira cerca de R$ 232,6 bilhões até o fim de 2021.

Economia de Minas

Em Minas Gerais, a expectativa é que R$ 21,4 bilhões advindos do benefício movimentem a economia do Estado. O valor equivale a 9,2% do montante total e 18,7% do previsto para a região Sudeste.

Cálculos do Dieese estimam que a quantia representa em torno de 2,8% do PIB mineiro. “O 13º salário é um importante reforço de renda para os trabalhadores neste final de ano e dinamiza a economia como um todo. Muitas vezes, ajuda os trabalhadores a organizar o orçamento familiar, especialmente neste momento difícil de pandemia, em que muitos tiveram perda de remuneração, o que levou parcela da população a acumular dívidas. Outra parte costuma fazer uma reserva para pagar impostos no início do ano”, explica Fernando Duarte, supervisor técnico do Dieese em Minas.

Pagar contas

Endividados, os belo-horizontinos se encaixam na descrição do especialista e citam que quitar contas atrasadas (35%) é o principal destino do benefício em 2021. No ano passado, esse índice era 29,91%. A média de valores por pessoa é estimada em R$ 2.104. É o que mostra a pesquisa “Destino do 13º Salário”, desenvolvida pelo Ipead/UFMG (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, Administrativas e Contábeis da Universidade Federal de Minas Gerais). Outros 23% responderam que devem “poupar para outros fins”, enquanto 10% disseram que vão viajar. Do universo pesquisado, 52% não têm direito ao recebimento do benefício.

Compra adiada

Inicialmente, o plano da assistente de marketing Bruna Carvalho para o recebimento do salário extra era comprar um telefone celular novo, mas, com os boletos vencidos da pós-graduação se acumulando, não será possível. “Devo gastar boa parte, senão o total do 13º, para quitar minhas contas em atraso”, diz.

Ela conta que, em maio do ano passado, enquanto ainda estava desempregada, utilizou o seguro-desemprego para investir na formação profissional. “Quando o auxílio acabou, eu ainda não tinha conseguido um novo trabalho para continuar pagando as mensalidades, que vão até janeiro do ano que vem”, conta. 

Mesmo empregada atualmente, Bruna afirma que não sobra muito para se livrar da dívida porque também arca com tratamentos médicos. “Tenho fibromialgia e depressão e, de 3 em 3 meses, faço controle médico e tenho que comprar boa quantidade de medicamentos controlados que não são baratos. É uma bola de neve”, resume.