Na quinta-feira desta semana, dia em que a suspeita de contaminação de carne pela doença da vaca louca foi divulgada, a cotação da arroba do boi gordo no comércio internacional da Bolsa de Valores de São Paulo chegava a R$ 310,96. Após dois dias, já acumulava 5,9% de perdas – maior queda desde dezembro de 2020, quando o produto era vendido a R$ 303,55.

Consultores financeiros afirmaram que o preço do boi gordo pode cair mais nos próximos dias, até que os resultados de exames sejam apresentados pelo Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).

Mesmo com o recuo, contudo, o mercado interno ainda permanece estável. De acordo com a consultoria Safras & Mercado, o valor da arroba do boi gordo não sofreu modificações até sexta.

Para o economista Eduardo Coutinho, do Ibmec, a crise causada pela suspeita do caso de “vaca louca” pode levar o setor a dois caminhos: a escassez de carne no mercado interno – causada por uma proibição de venda do produto oriunda de decisão sanitária – ou a recusa dos consumidores em comprar cortes bovinos. “Ainda é cedo para dizer, mas os preços podem cair se houver uma dessas medidas mais drásticas. Em ambos os cenários, porém, os desdobramentos são catastróficos”, afirma.

 
Entidades

Por meio de nota, a Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrifigro) informou que a suspeita de “vaca louca” veio “no momento em que a ociosidade nos frigoríficos que trabalham somente com o mercado interno é bastante elevada e serviu para diminuir ainda mais o negócio de aquisição de bois”. Procurada, a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec) disse que ainda não se pronunciaria sobre o assunto. Já Silvio Silveira, presidente da Associação de Frigoríficos de MG, ES e DF (Afrig), não retornou as ligações do HD.

 

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