Não bastassem os preços cada vez mais salgados da carne de boi nos supermercados e açougues, a suspeita da existência de um caso de “vaca louca” em um frigorífico de BH, revelada nesta semana, trouxe incertezas ainda maiores para o setor.

O caso, investigado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), foi classificado pelo governador Romeu Zema (Novo) como “muito preocupante”. “Todo o Brasil depende de exportação de proteína animal, e um fato como esse pode atrapalhar, prejudicar muito esses negócios. Vamos tomar todas as medidas para que, se confirmar esse tipo de ocorrência, fique restrita somente a onde aconteceu”, afirmou ele, na quinta-feira, em entrevista a uma rádio da capital.

De acordo com o Mapa, o animal teria apresentado sintomas da vaca louca em junho. O primeiro teste realizado deu positivo e, o segundo, negativo. Um terceiro exame foi coletado e, somente após o resultado, o ministério deve tomar alguma medida.

“Vamos tomar todas as medidas para que, se confirmar esse tipo de ocorrência, fique restrita somente onde aconteceu”
Romeu Zema - governador de Minas

 
Fundo para emergência

Ontem, o superintendente técnico da Federação da Agricultura do Estado de Minas Gerais (Faemg), Altino Rodrigues Neto, informou que espera que o material suspeito seja classificado como “atípico”. “Temos um protocolo muito rigoroso de não utilização de farinha de carne como proteína animal na alimentação dos rebanhos. Já criamos um fundo de emergência para dar suporte aos produtores em ações de defesa, caso elas venham a ter que ser adotadas”, destacou Altino.

 

Preços em queda

Com a suspeita, o preço da arroba do boi gordo despencou no comércio internacional. Em apenas dois dias, a commodity alcançou o menor preço em nove meses na bolsa de São Paulo. Ontem, começou a ser vendida por R$ 297,50 e, ao fim do dia, caiu para R$ 292,90. 

 

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