Com menos vagas de trabalho formal oferecidas e a necessidade batendo à porta, muitos mineiros se viram para conseguir garantir o sustento diário. Pelos dados da PNAD Contínua do IBGE, foi estimado no Estado um aumento de 6% do contingente de trabalhadores por conta própria no 2º trimestre de 2021, em comparação ao 1º trimestre deste ano – um total de 138 mil pessoas.

Uma delas é Rosana Barros de Sousa, de 62 anos. Pequena empresária do ramo de alimentos, Rosana fechou um empório no Santa Efigênia em abril e passou a vender os produtos em casa. “Tinha uma sócia, percebi que manter a loja era prejuízo. Deixei de pagar aluguel e ter outras despesas fixas e estou atendendo minha clientela de casa. Foi a única maneira de me manter em atividade”, explica.

Mesma atitude foi tomada pela manicure Tatiana Lima, de 26 anos. Após ficar desempregada em março, passou a revender biscoitos para se manter. “Tentei conseguir outro emprego, mas não deu. Foi aí que vi na revenda dos biscoitos uma forma de conseguir garantir uma renda”, diz.

Já para o motorista Cristiano Diniz, de 44 anos, trabalhar por conta própria é opção há 24 anos. E ele garante que não quer saber de patrão tão cedo. “Hoje, tenho uma liberdade que jamais tive quando tinha carteira assinada. Posso programar meus horários, definir metas, algo impossível quando se é empregado”, afirma.
Mas ganhar a vida assim pode tornar-se um risco quando a atividade não tem qualquer grau de formalidade.

“Empreender não é problema. O perigo é estar informal e não contar com benefícios previdenciários, por exemplo. Atuar por conta própria pode ser saída inteligente para um futuro estável, mas é preciso planejar-se e estar legalizado”, destaca Laurana Viana, analista do Sebrae Minas. 

 

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