Apesar das vantagens em relação a outros produtos financeiros, sobretudo para quem quer fazer poupanças de longo prazo para adquirir bens e serviços, os consórcios requerem cautela dos interessados, segundo especialistas. 

É fundamental, por exemplo, que os consumidores analisem muito bem os contratos, conhecendo em detalhes as formas de correção anual do saldo devedor, e que busquem informações sobre as administradoras escolhidas - no site do Banco Central, por exemplo.

“A pessoa tem que saber o que está contratando, avaliar a taxa de administração e o índice de correção e ter consciência de que só terá a disponibilidade do bem quando for contemplado. Não existe, por exemplo, essa história de cota já contemplada ou garantia de ser sorteado”, afirma o advogado Marcelo Mantuano.

Prejuízo

Um professor de ensino médio de Belo Horizonte de 54 anos, que pediu para não se identificar, acabou saindo no prejuízo, no ano passado, ao usar um consórcio de imóvel, no qual foi contemplado, para pagar o financiamento bancário do apartamento em que mora com a família. No caso, não houve desonestidade, mas uma boa dose de azar.

“Peguei a carta de crédito e quitei o financiamento, que se estenderia por mais algumas décadas, reduzindo o prazo de pagamento. O problema é que, quando fiz isso, o índice de correção anual do consórcio, o INCC, que mede custos da construção, estava, em média, em 5,1% ao ano, nos últimos 5 anos. Com a pandemia, agora em 2021, já está acumulado em 11,37% e, nos 12 últimos meses, mais de 17%. Ou seja, a média mais que triplicou desde a pandemia. Por enquanto, estou no prejuízo”, lamenta.

O mesmo não ocorreu com o advogado Felipe Pereira, de 40 anos. Também no ano passado, ele adquiriu consórcio com o intuito de comprar um apartamento que já tinha em vista, na Serra, Centro-Sul de BH. 

"Dei sorte porque o apartamento não foi vendido para outra pessoa, o que poderia ter acontecido, já que minha aposta não foi no curto prazo. Acabou que deu tempo de eu ser contemplado”, explica. Em termos financeiros, Pereira diz que o negócio foi “muito melhor” do que seria com o financiamento habitacional. “Compensou bastante”, afirma.

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