Integrantes de um dos setores que mais cresceram na pandemia, as administradoras de consórcios registraram, nos primeiros sete meses do ano, 65% de aumento nos negócios feitos no país. Foram R$ 123,1 bilhões em créditos comercializados, ante R$ 74,5 bilhões no mesmo período de 2020, segundo a associação nacional de tais empresas, a Abac. Além disso, houve disparada nos novos contratos: 1,98 milhão, 31% a mais que os 1,51 milhão registrados de janeiro a julho do ano passado. 

Em todo o Brasil, as quase dois milhões de adesões se traduziram em acumulados setoriais, com destaque para 839,62 mil vendas de cotas de veículos leves; 643,70 mil de motocicletas; 286,27 mil de imóveis; 97,66 mil de veículos pesados, 59,68 mil de eletroeletrônicos; e 50,13 mil de serviços. A média mensal de 282,44 mil, apurada nos sete meses, ficou bastante acima da alcançada no ano passado, quando chegou a 215,70 mil vendas.

Segundo o diretor da Abac para Minas, além de Rio e Espírito Santo, Píndaro Luiz Sousa, embora sem dispor de números regionalizados, é possível dizer que o Estado teve um desempenho geral “em torno de 10% superior” à média nacional. E que um dos segmentos que mais puxaram tal performance foi o imobiliário.

"Também tivemos em Minas excelentes resultados na comercialização de consórcios de carros, motos e serviços, mas o crescimento foi um pouco mais acentuado nos imóveis. Isso se deve à força e à tradição desse setor no Estado, onde há grandes construtoras”, afirma Sousa.

Sobre os motivos que explicariam o “boom” geral dos consórcios, o dirigente da Abac ressalta o papel preponderante da mudança de hábitos dos consumidores durante a crise sanitária. "Primeiro que as pessoas foram levadas a planejar melhor a vida financeira, e esse comportamento foi intensificado durante os meses mais duros da pandemia. Em segundo lugar, tivemos um aumento expressivo de vendas pelos canais digitais, lembrando que as administradoras triplicaram seus investimentos em tecnologia”, diz. 

“Para completar, em Minas, houve um aumento significativo da procura dos jovens pelos consórcios. As novas gerações estão mais receptivas a esse produto, que é mais democrático, não tem juros, como os financiamentos bancários, independe de renda e faixa etária e ajuda as pessoas na conquista dos sonhos”, acrescenta Sousa.

Vantagens

Para o advogado especializado em direito imobiliário e em consórcios Marcelo Mantuano, a revigorada busca por consórcios, no país e em Minas, é fruto de inegáveis atrativos dessa modalidade de aquisição de bens e serviços. “Trata-se de uma ótima ferramenta para poupança a longo prazo porque é uma capitalização em que não incidem juros. O que se paga além da cota é uma taxa de administração e correção anual ligada a um determinado índice”, afirma.

Além disso, mesmo diante de financiamentos imobiliários, por exemplo, com juros baixos nos bancos, os consórcios, em muitos casos, ganham a preferência. “Para quem não tem pressa e pode esperar ser contemplado com crédito, é excelente. Mas para quem precisa do bem no curto prazo, não é recomendado”, explica Mantuano.

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