A melhor saída para evitar os transtornos causados pelos atrasos nas parcelas de financiamento de imóveis é o planejamento. Seja para dar adeus ao aluguel ou para comprar um imóvel maior, muitos consumidores acabam desprezando os riscos de financiamentos de longo prazo e consideram a situação econômica só no ato da compra. “O grande problema é que as pessoas não fazem conta. O que se paga nos primeiros cinco anos é apenas para amortização dos juros. Pouco é descontado do saldo devedor. Se o comprador percebe que tem uma queda de renda, tem que abrir mão desse imóvel e vendê-lo para não perder tudo, pois não há margem de renegociação dos contratos”, explica o advogado Silvio Cupertino.


Essa foi a opção da vendedora Juscelia Rodrigues, de 39 anos. Ao ver a renda despencar na pandemia, não pensou duas vezes e colocou à venda o apartamento de dois quartos em que morava sozinha em Ibirité, na Grande BH. “Quando comprei, a prestação representava 15% da minha renda; hoje, ultrapassa 40%. Estou com as prestações em dia, mas está cada vez mais difícil. Manter o apartamento é um sacrifício. Não vale a pena”, garante a vendedora, que recentemente voltou a morar com a mãe.

OUTRO LADO

Se, para os compradores, o momento requer muita cautela, o mesmo não se pode dizer para as construtoras. Apesar da instabilidade financeira dos consumidores e das taxas de juros mais altas – puxadas pelo aumento da Selic –, o mercado deve continuar aquecido até o fim do ano. “Estamos caminhando para um cenário em que haverá certa estabilidade das taxas. Isso vai garantir uma segurança maior a quem está pensando em comprar um imóvel, principalmente os que vão trocar o aluguel pelo financiamento”, destaca Renato Michel, vice-presidente da área imobiliária do Sinduscon-MG. 

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