O anúncio da possibilidade de descontos ou até suspensão de parcelas de financiamentos habitacionais da Caixa traz alívio a mutuários, muitos dos quais beneficiados por medida semelhante no ano passado e, agora, novamente envolvidos em dificuldades para honrar os compromissos. 

A atendente Cíntia Maria dos Santos, de 40 anos, moradora de um apartamento financiado em Contagem, na Grande BH, por exemplo, conseguiu postergar o pagamento de prestações por seis meses no ano passado. Até então, pagava R$ 750, mensalmente. Mas o montante saltou para R$ 1.000, após o retorno dos pagamentos, em fevereiro. 

Com o marido desempregado e a renda menor, Cíntia está com duas prestações atrasadas e deve pedir nova suspensão. 
“Não tenho saída, mesmo com o aumento do valor que vai acontecer. Preciso dessa pausa para reorganizar as contas e não perder o imóvel”, explica ela, que adquiriu o apartamento há sete anos.

Já o estudante Luiz Carlos Rodrigues, de 37, deve solicitar mais uma vez a redução nos valores das parcelas, a exemplo do que fez em 2020. Desempregado e contando apenas com a renda da esposa, diminuída na pandemia, Luiz se diz sem saída. “Não queria isso, mas, diante da queda de renda em casa, fico sem alternativa”, sustenta.

Há, porém, alguns mutuários que não preveem qualquer refresco, nem com as opções da Caixa. O jornalista Robson Fontenelle, que comprou apartamento em 2010, está nessa situação. Na época da aquisição do imóvel, as prestações de R$ 2.800 não pesavam tanto no orçamento. Com a crise econômica provocada pela Covid-19, ele precisou suspender as parcelas do financiamento por seis meses. No retorno, viu o valor subir para R$ 3.400. Agora, enxerga apenas uma solução: vender o imóvel. 
“Infelizmente, como a Caixa não nos dá opção do refinanciamento, a única saída que devo fazer é vender o imóvel. Entrar em outra suspensão, para ver a parcela disparar novamente, é inviável”, lamenta.


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