Depois de 45 anos de operação, a unidade da Stellantis em Betim, na Grande BH, deixou de ser apenas de ser uma linha de montagem e passou a ser um polo de desenvolvimento completo. Isso porque a unidade, localizada às margens da rodovia Fernão Dias, passou a contar com instalações que a capacitam a criar um carro sem depender de outra instalação do grupo.

Nos últimos anos, a fábrica de Betim passou por melhorias como a instalação do Design Center, assim como o Hub que monitora tendências de mercado. Esses dois departamentos permitem traçar novos produtos. A fábrica também investiu em laboratórios capazes de converter os esboços e ideias dos designers num carro completo em ambiente virtual.

A nova linha de motores, que demandou investimento de R$ 500 milhões e que fornece blocos para os modelos Fiat e Jeep, assim como o laboratório de crash test, dinamizou o processo de desenvolvimento de produtos. 

“A inauguração desta planta de motores turbo representa um passo estratégico na direção de ampliarmos nossa presença na América Latina. Também traz muitas possibilidades para nossa gama de produtos, pois os motores GSE Turbo reúnem as melhores tecnologias de desempenho e sustentabilidade, com ganhos no consumo de combustível e redução de emissões. Esta nova produção será fonte de grande orgulho e motivação para todos nós”, acrescentou o COO da Stellantis para a América do Sul, Antonio Filosa.

Indústria 4.0

A nova linha de motores chega num momento em que a automação e precisão de montagem se torna crucial para produzir propulsores que levam tecnologias avançadas. De acordo com executivos a Stellantis, a nova linha de motores, <CW0>que foi anunciada em 2019, foi projetada para entregar o que há de mais moderno em processos fabris, seguindo as tendências da Indústria 4.0. As análises técnicas do layout produtivo foram realizadas em 3D, assim</CW> como ferramentas de virtualização para criar e testar os processos de manufatura antes da instalação física.

Alem da nova linha de motores, anunciada ainda em 2019, a unidade da montadora, em Betim, também investiu em laboratórios capazes de converter os esboços e ideias dos designers num carro completo em ambiente virtual 

Tudo isso somado a investimentos em Big Data e automação de produção, como explica o responsável pela Manufatura da Stellantis para a América do Sul, Pierluigi Astorino. “Na Stellantis South America, a inovação está no centro da evolução da manufatura. Novos processos surgem para aumentar a qualidade e a produtividade, integrados à Internet das Coisas, Manufatura Aditiva, Realidade Aumentada, Machine Learning, Big Data, entre outras soluções. Nos últimos anos, nós criamos um percurso de digitaliza-ção muito virtuoso, com resultados também para reduzir custos. Já avançamos muito, mas acreditamos que podemos evoluir ainda mais. A digitalização não tem data para acabar”.

Degraus

Presente na cadeia produtiva dos automóveis, a indústria do aço, em Minas, também tem galgado seguidos degraus no caminho da inovação e das tecnologias 4.0, no qual a Gerdau, por exemplo, tem se destacado. Um dos diferenciais, segundo o gerente geral de indústria 4.0 da empresa, Rafael Oliveira, é buscar resolver desafios e aplicar soluções nas operações em todo o país, como faz o Centro de Monitoramento de Ativos da unidade de Ouro Branco.

Essa e outras iniciativas parecidas permitiram uma redução de custo da ordem de R$ 50 mi entre 2018 e 2020. “A inovação na Gerdau é sustentada não só pelos projetos executados pelas equipes diretas, mas também por empresas e startups que trabalham suas soluções em parceria com a empresa”.

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