O setor de serviços continua registrando imensos prejuízos em todo o país, em razão dos efeitos econômicos da pandemia. É o que mostra pesquisa divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A retração em março (-4%) foi a pior desde junho de 2020.

Na esteira desse resultado, outro levantamento, também divulgado ontem, confirma os maus bocados vividos pelo segmento, especificamente pelos bares e restaurantes mineiros: segundo a Abrasel-MG, quatro a cada 10 donos de tais negócios no Estado estão com nome sujo na praça por não pagarem as contas em dia.

A pesquisa da Abrasel-MG, que ouviu 420 empresários entre os dias 3 e 4 de maio, aponta, precisamente, que 43,3% dos entrevistados disseram ter restrição nos órgãos de proteção ao crédito (Serasa e SPC). Desses, 25% devem quantias superiores a R$ 50 mil. Somente em BH, 3.500 negócios simplesmente encerraram as atividades, desde o início da crise da Covid-19.

Para Matheus Daniel, presidente da entidade, além de muita burocracia e morosidade na concessão de linhas de crédito ao setor, por governos e bancos, medidas como as impostas pela PBH – que, no momento, libera os estabelecimentos até 19h, mas já os deixou com horários restritos ou fechados – tornam a situação ainda mais dramática. “O horário noturno é responsável por 70% do nosso faturamento. O Poder Público não dialoga de fato com o setor e não tem ideia de como funcionamos, por isso apresenta propostas inviáveis para mantermos o faturamento e quitar as dívidas”, afirma ele.

Muitos empresários mineiros do ramo contam que tiveram de abrir mão de bens particulares para manter os espaços em operação

Mesmo com a recente flexibilização, o movimento de clientes nos bares e restaurantes da capital não consegue garantir aos empresários recursos suficientes para se manter. Segundo a Abrasel, 76% afirmaram ter precisado vender bens pessoais para cobrir despesas das empresas. 

Com perda de 80% do faturamento desde março de 2020, Marcelo de Lima Rodrigues, dono do Paulista Grill, no bairro Carmo, já não faz retiradas de pró-labore há um ano. “Estou vivendo de uma aposentadoria que tenho. Já tive que vender lotes e outros bens e demitir parte do pessoal para conseguir manter o negócio, porque acredito que isso tudo vai passar”, destaca Rodrigues, que tem IPTU atrasado e dívidas de cerca de R$ 100 mil.

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