Minas Gerais registrou crescimento expressivo de Microempreendedores Individuais (MEI) entre março de 2020 e abril deste ano, durante a pandemia da Covid-19. Segundo dados do Sebrae Minas, cerca de 215 mil microempreendedores se formalizaram no Estado no período, elevando para 1.342.377 o número de MEI mineiras.

Além de um aumento de 22% em relação ao total de MEI, em fevereiro do ano passado, o montante a mais significou média de 550 empresas do tipo abertas a cada dia no Estado, ao longo dos 13 meses contabilizados. Vale lembrar que o segmento corresponde a 63% dos pequenos negócios estaduais.

O Sebrae Minas também divulgou uma pesquisa com os MEI apontando que 8% dos “recém-chegados” têm idade entre 18 e 24 anos. Antes da pandemia, os jovens microempreendedores mineiros em tal faixa etária eram 5%. 

Para José Walter Lima, analista do Sebrae Minas, esse aumento está ligado ao senso de oportunidade de mercado – 60% de todos os novos MEI se arriscaram a abrir um negócio em meio à pandemia por terem este fator como principal motivação. 

“Por não serem, em grande maioria, os arrimos de suas famílias, os jovens têm mais possibilidades de se submeter ao risco de um novo negócio, o que explica o aumento do percentual de MEI naquela faixa de idade”, destaca o analista.

Em casa

A pesquisa do Sebrae Minas também mostra que a atividade como MEI é a única fonte de renda familiar para 40% dos entrevistados. E praticamente a metade (49%) realiza parte ou todo o trabalho em casa. O estudo ainda registra que a grande parcela dos MEI que usam a casa como local de trabalho é de mulheres – 59%. 

O trio Margareth, Maria Eduarda e Natália Menezes se encaixa nesse perfil. Mãe e filhas tocam de casa a confeitaria Uai Bom Demais, especializada em doces e bolos para festas. Elas se dividem entre fazer os quitutes, elaborar as estratégias de venda nas redes sociais e fazer as entregas. “Hoje, vivemos do nosso negócio. Trabalhamos de casa e criamos a empresa durante a pandemia como forma de garantir a renda familiar”, afirma Maria Eduarda.

O crescimento do desemprego também fez com que muitas pessoas vissem no MEI uma forma de garantir sustento. Foi o caso de Amanda Lemos, que por 20 anos atou no setor de turismo e eventos, um dos mais impactados pela pandemia, e, desligada de uma empresa, resolveu empreender. 

“Era hora de pensar: o que eu poderia fazer para gerar renda? Sempre gostei muito de cozinhar e, assim, amigos e familiares me incentivaram a fazer comida para vender”, conta a dona da Delícias D’Amanda, aberta em abril de 2020.

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