A inflação dos alimentos vem devorando o poder de compra dos brasileiros na pandemia. Após inúmeros levantamentos sobre altas exageradas no setor, BH ganhou, ontem, mais uma constatação disso, desta vez ligada a itens de padaria. Pesquisa do site Mercado Mineiro apontou que a subida de preços em estabelecimentos do tipo na capital, entre maio de 2020 e o mesmo mês deste ano, chegou a mais de 2,5 vezes a inflação do período.

Segundo o estudo, feito em 29 padarias, nos dias 6 e 7, os valores de mercadorias como pães, leite e embutidos oscilaram de 8,6% (pão francês) a 16% (manteiga de marca famosa) em relação aos praticados em maio passado, ante um IPCA de cerca de 6% no período de 12 meses.

Em um ano, na capital, quilo do pão doce subiu 12% e o do francês, quase 9%; já o preço da manteiga saltou 16%, ante um IPCA de 6%

De acordo com o Mercado Mineiro, outros produtos da mesa do café também tiveram preços significativamente majorados. O quilo do pão doce, por exemplo, subiu 12% desde maio de 2020 – de R$ 15,96 para R$ 17,89. O do presunto sofreu reajuste de 10,94% saindo de R$ 30,14 para R$ 33,44.

Na prática, uma família de seis pessoas que, por exemplo, comprava 300g de pão francês (seis pães de 50 gramas), 300g de pão doce e 300g de presunto por dia, em maio de 2020, gastava R$ 20. Hoje, desembolsa R$ 22. Mantida tal rotina de compras por 30 dias, o gasto é de R$ 60 a mais no final do mês e de R$ 720 a mais, em um ano.

E, se o desjejum está mais caro, almoço e jantar não ficam atrás. Segundo a Fundação Getúlio Vargas, de março de 2020 a março de 2021, um prato com arroz, feijão, carne, ovo, fritas e salada está, em média, 23% mais caro. Os vilões foram o arroz e o feijão, que subiram 61 e 69%.

Para o economista Felipe Leroy, do Ibmec, a pressão sobre os preços da dupla é reflexo da desvalorização do Real frente ao dólar. “Esses produtos ficaram mais atrativos para exportação, fazendo com que os preços disparassem por aqui”

Bater pernas

Para economizar, a saída é a mesma de sempre: bater perna e pesquisar. Para a presidente do Movimento das Donas de Casa de Minas (MDC), Solange Medeiros, isso demanda paciência. “Em meio à alta de preços, quanto mais o consumidor pesquisar, mais estimulará a concorrência a disputar nosso dinheiro. É preciso valorizar cada centavo”, ensina.

 
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