O isolamento social, que levou mais e mais pessoas a cozinharem e comerem em casa, e a crescente preocupação com a saúde alimentar, tudo isso em razão da pandemia da Covid-19, fizeram disparar o consumo de produtos orgânicos no país. 

Segundo a Organis, a Associação de Promoção de Orgânicos – entidade de abrangência nacional que promove tal tipo de cultivo –, de 2019 para 2020, as vendas de itens como legumes, hortaliças e frutas produzidas sem agrotóxicos, e com respeito a uma série de parâmetros ambientais e sociais, subiu cerca de 30% no país.

Em cifras, isso significa que o segmento movimentou algo em torno de R$ 5,8 bilhões no ano passado, ante R$ 4,4 bilhões no anterior. Em Minas, embora não haja um recorte oficial do segmento por estados, é possível estimar, com base em estatísticas de consumo de outros produtos alimentícios, que os orgânicos tenha gerado faturamento de quase R$ 600 milhões (10%) em 2020.

A empresária Paula Gorchowski, sócia da Espaço Orgânico, pequena mercearia na região Noroeste da capital, que faz vendas locais e entregas na Grande BH, diz que o movimento ali superou a média brasileira, atingindo mais de 40% de elevação após a chegada da Covid-19. 

“Antes, entregávamos em torno de 40 cestas por semana, com produtos como frutas, folhas, legumes e proteína animal. Hoje, esse total tem variado de 70 a até 100 cestas semanais”, diz ela. Para Paula, o principal motivo do “boom” foi a busca das pessoas por saúde. “A pandemia despertou essa preocupação e as pessoas viram que os orgânicos atuam bastante na ampliação da imunidade do organismo”, afirma.

Henrique Machado, gerente do Orgânicos do Chico, na região Oeste e que também faz delivery para BH e entorno, confirma a explosão na comercialização dos alimentos saudáveis. “Tivemos incremento de mais de 100% nas vendas, de uns meses para cá. Foi absurdo”, sustenta ele, lembrando que a equipe da loja passou de dois para seis funcionários e a de entregadores, de quatro para 12, desde o início da pandemia. O gerente diz ainda que o preço acima do cobrado por itens convencionais – mais que o dobro, em razão da menor oferta e dos custos altos de produção – não inibe os clientes. “Pagam por saúde”, garante.

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