Na véspera de uma importante reunião entre membros do Comitê de Enfrentamento à Covid-19 de Belo Horizonte e o prefeito Alexandre Kalil (PSD), marcada para esta quarta-feira (14) e que sevirá para avaliar eventual flexibilização das atividades econômicas da cidade, comerciantes e infefectologistas voltaram a emitir opiniões divergentes sobre a situação. 

Mais cedo, nesta terça-feira (13), o infectologista Unaí Tupinambás afirmou, em entrevista ao Hoje em Dia, que, mesmo diante da queda de indicadores sobre a gravidade da Covid-19 na capital, ainda não seria momento de relaxar medidas para contenção de casos, já que BH "vive o pior momento" desde a chegada da pandemia. 

"Estamos melhorando os parâmetros, é verdade. Nosso Rt (índice de transmissão daCovid) caiu, a ocupação (de leitos) caiu, mas ainda estamos em um nível muito alto. Se formos comparar com o pior momento do ano passado, em julho, ainda estamos 100 casos acima do que tínhamos no mesmo período", disse o especialista, integrante do comitê municipal.

"É claro que piorou, agora estamos em uma crise administrável, mas ainda estamos em um momento muito crítico. Nossa incidência está 470 casos por 100 mil habitantes. Nunca esteve tão alto”, acrescentou. 

Tupinambás admitiu que a fila de espera por leitos também já diminuiu bastante e que está "mais administrada" na capital, mas disse que não há motivo para afrouxar condutas. "Nossa taxa de ocupação está caindo, felizmente, mas no SUS está entre 95% e 96%, o que é muito alto ainda. No meu ponto de vista, não falo pelo comitê, não é o momento de abrir porque nós temos uma incidência de novos casos muito alta. Ao meu ver, acho que a gente deve continuar nessa restrição de mobilidade aqui em Belo Horizonte por mais tempo. Talvez, mais uma semana para reavaliar como vai ser o cenário”, disse.

Comércio cobra reabertura

Em contraponto à fala de Unaí, poucas horas depois, a Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL/BH) divulgou nota na qual afirma entender "que, após a divulgação dos últimos boletins epidemiológicos sobre a situação da Covid-19" na cidade, "é perfeitamente possível que o governo do Estado e a Prefeitura de Belo Horizonte determinem a reabertura do setor de comércio e serviços que está de portas fechadas desde o último dia 6 de março". "Para estes estabelecimentos que estão proibidos de funcionar, a situação já passou o limite do suportável", sustenta a Câmara.

Os lojistas dizem ainda que, em 2020, "Belo Horizonte foi a cidade brasileira onde o comércio ficou mais tempo de portas fechadas". "Já se passaram mais de cem dias em 2021 e mais da metade deles o comércio ficou proibido de funcionar. É inadmissível que um pequeno estabelecimento, na imensa maioria das vezes estando com menos de dez pessoas, contando funcionários e clientes, seja impedido de funcionar, enquanto vemos todos os dias centenas de ônibus coletivos trafegando lotados no transporte público da cidade", garante a entidade.

Em nota, a PBH afirmou que "lamenta profundamente os impactos que vêm sendo causados pela pandemia nas diferentes atividades econômicas e destaca que sempre manteve diálogo com esses setores para construir conjuntamente alternativas e soluções para redução de danos". "Qualquer revisão no processo de flexibilização será verificada nesta quarta-feira (14), durante reunião da Prefeitura com o Comitê de Enfrentamento à Epidemia da Covid-19", complementou a administração municipal.

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