O setor que talvez mais esteja sendo obrigado a absorver o aumento dos preços de insumos é o da siderurgia. E a explicação é simples: a disparada nos preços internacionais de quase todas as commodities, como é o caso do minério de ferro. Influenciada por fatores globais – como câmbio, demandas internas de países e produção –, a cotação da tonelada do produto alcançou na sexta-feira (9) o segundo maior valor da história: US$ 172.

Segundo o economista Izak Carlos Silva, da Fiemg, a elevação desse preço se deu em razão da maior demanda da China, que, para compensar efeitos mundiais da crise econômica causada pela pandemia, passou a investir pesado em obras internas. “É uma resposta à demanda internacional. Como as mineradoras de todo o mundo ainda não estão operando na normalidade, os preços sobem drasticamente”, explica. 

Crescimento

Isso impacta, portanto, a produção da siderurgia brasileira, que vê seus custos pressionados. Curiosamente, contudo, tal fenômeno ocorre em meio ao crescimento significativo de desempenho do setor. De acordo com o Instituto Aço Brasil, a siderurgia nacional alcançou, no início deste ano, a maior produção para o período desde janeiro de 2019 e o maior consumo aparente de aço desde março de 2015. 

A subida foi puxada pelo maior consumo de aço na construção civil, nas obras de infraestrutura e por uma maior participação da indústria nacional no setor de óleo e gás e energia renovável. Enquanto isso, as exportações recuaram 30,2% em relação àquelas realizadas no 1º bimestre de 2020, o que mostra uma tendência das siderúrgicas de atender prioritariamente o mercado doméstico. 

Em Minas, uma das principais siderúrgicas do país, a Usiminas, registrou aumento de produção e vendas entre janeiro e março de 2021, em comparação com o mesmo período de 2020. A produção diária de aço teve alta em média 19%. Já as vendas subiram 18%. Desse volume, o mercado interno respondeu pela maior fatia, absorvendo 93% do total da produção.

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